O cantor e compositor Arlindo Domingos da Cruz Filho, conhecido como Arlindo Cruz, morreu na tarde desta sexta-feira (8), aos 66 anos, em um hospital do Rio de Janeiro. A perda foi confirmada pela família, que atribuiu o falecimento a complicações de uma pneumonia desenvolvida nas últimas semanas.
Detalhes da internação e das causas
Em abril de 2025, Arlindo Cruz foi internado para tratar uma pneumonia que evoluiu para um quadro de derrame pleural. Na ocasião, ele já apresentava quadro delicado de saúde, com múltiplas internações ao longo dos últimos anos devido às sequelas de um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico sofrido em março de 2017.
Nos meses anteriores, o sambista também enfrentou infecções do trato respiratório e urinário e chegou a passar quase 50 dias hospitalizado em 2023 para tratar uma caxumba bacteriana. Em 2024, registrou episódio de bradicardia e, em julho de 2025, precisou extrair vários dentes em ambiente hospitalar devido a complicações da doença autoimune que o mantinha traqueostomizado e dependente de gastrostomia (sonda alimentar).
Histórico de saúde e batalha contra o AVC
No dia 17 de março de 2017, Arlindo Cruz sofreu um AVC hemorrágico enquanto estava em casa e precisou ficar cerca de 15 meses internado, grande parte desse período em unidades de terapia intensiva. Na recuperação, passou por 14 cirurgias, entre elas cinco apenas na cabeça, além de enfrentar uma embolia pulmonar. Após receber alta hospitalar, manteve sessões regulares de fisioterapia e fonoaudiologia em casa para tentar recuperar movimentos e fala, mas permaneceu com sequelas graves que o impediam de voltar aos palcos.
Legado musical
Arlindo Cruz nasceu em 14 de setembro de 1958, em Madureira, subúrbio do Rio de Janeiro. Aos seis anos, ganhou seu primeiro cavaquinho do pai, o músico Arlindão Cruz, e começou a frequentar rodas de samba ainda criança. Na década de 1970, participou da fundação do bloco carnavalesco Cacique de Ramos, onde conheceu futuros companheiros do Fundo de Quintal.
Entre 1981 e 1993, integrou a primeira formação do grupo Fundo de Quintal, gravando clássicos como “Seja Sambista Também” e “Primeira Dama”. Em carreira solo, revelou composições presentes em mais de 550 gravações por artistas como Beth Carvalho, Zeca Pagodinho e Jorge Aragão. A influência de Arlindo no samba lhe rendeu o apelido de “sambista perfeito”, título que também inspira sua biografia lançada em 2025.
Repercussão e homenagens
Famosos e colegas de profissão repercutiram a morte do artista nas redes sociais. O autor Walcyr Carrasco publicou:
“Hoje o samba chora a partida de um dos seus maiores mestres. Arlindo Cruz nos deixa um legado eterno de música, poesia e alegria. Nossos sentimentos à família, amigos e a todos os fãs”.
O sambista Mumuzinho também aproveitou para relembrar a importância de Arlindo em sua carreira e publicou uma canção de homenagem intitulada “Arlindo Luz”, destacando a generosidade e o talento do amigo até os últimos dias de vida.
Arlindo Cruz deixa viúva a empresária Babi Cruz, com quem estava casado desde 2012, e três filhos: o cantor Arlindinho, a influenciadora Flora Cruz e Kauan Felipe. A cerimônia de despedida ainda não teve data divulgada pela família.
Nosso Whatsapp (75) 9 8844-3155