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NATAL SINDVALE
Brasil

Criminosos exploram liquidação do Banco Master e ampliam golpes com falsas promessas de liberação imediata do FGC

Publicada em 20/11/2025 às 22:58h -


Criminosos exploram liquidação do Banco Master e ampliam golpes com falsas promessas de liberação imediata do FGC
 (Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil)



A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central na terça-feira (18), desencadeou não apenas incertezas entre milhares de investidores, mas também abriu brecha para uma onda crescente de golpes financeiros. Aproveitando o momento de vulnerabilidade, estelionatários têm se passado por consultores especializados e até por supostos representantes do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), oferecendo a liberação imediata de valores congelados - um serviço que simplesmente não existe.

Golpistas criam “serviços” falsos e usam linguagem técnica para enganar vítimas

Desde o anúncio da liquidação, clientes que possuem CDBs e outros investimentos do Banco Master não conseguem acessar seus recursos. Essa ansiedade tem sido o combustível para a atuação dos criminosos, que nos últimos dias intensificaram campanhas em redes sociais, apps de mensagens e ligações telefônicas.

Os golpistas prometem “liquidez imediata”, “antecipação da cobertura do FGC” e até “processamento prioritário do reembolso”, mediante pagamento de taxas ou envio de dados pessoais. Para dar aparência de credibilidade, utilizam termos técnicos do mercado financeiro, citações a normas regulatórias e documentos falsificados com logotipos do Banco Central e do FGC.

Há ainda páginas e aplicativos fraudulentos que clonam a identidade visual do FGC e simulam atendimentos oficiais, pedindo selfies, fotos de documentos, senhas, códigos de verificação e até gravações de voz.

FGC emite alerta: não antecipa valores, não cobra taxas e não utiliza intermediários

Diante da proliferação dos golpes, o Fundo Garantidor de Créditos reforçou publicamente que:

  • não antecipa pagamento de valores cobertos;
  • não realiza cobranças de taxa, tarifa ou honorário;
  • não solicita dados por WhatsApp, ligação telefônica ou redes sociais;
  • não autoriza terceiros a intermediar solicitações de garantia.

O órgão alerta ainda que qualquer oferta de liberação acelerada é golpe. O ressarcimento só poderá ser solicitado após o liquidante do Banco Master encaminhar ao FGC a lista dos credores, processo que costuma levar cerca de 30 dias.

Somente então o aplicativo oficial do FGC habilitará o pedido de restituição, mediante biometria, envio de documentos e assinatura digital. O pagamento, segundo o órgão, é processado em até dois dias úteis após a finalização da solicitação.

Busca por informações cresce e aumenta vulnerabilidade

A incerteza sobre o acesso aos investimentos do Banco Master fez crescer rapidamente a procura por orientações. Grupos de WhatsApp, fóruns de investidores e redes sociais estão entre os principais locais onde os golpistas atuam. Mensagens falsas com supostos links de liberação de valores circulam com grande velocidade, atingindo especialmente investidores que ainda não compreenderam como funciona o processo oficial do FGC.

Entidades de defesa do consumidor alertam que momentos de instabilidade financeira são terreno fértil para fraudes, pois muitos clientes, preocupados em recuperar seus recursos, tendem a agir por impulso e acabam repassando informações sensíveis.

Golpes mais frequentes: roubo de dados e empréstimos abusivos disfarçados

Especialistas apontam duas modalidades de golpe como as mais comuns:

1. Roubo de dados (phishing):
– sites falsos imitando o FGC;
– links enviados por mensagens;
– formulários pedindo documentos, senhas e códigos;
– aplicativos que instalam malwares.

2. Falsas “antecipações” que, na prática, são empréstimos abusivos:
Criminosos oferecem valores “adiantados”, mas o que o cliente recebe é um crédito com juros altos que compromete parte do que ele realmente teria direito.

Crise no Banco Master agravou ambiente para golpes

O Banco Master já enfrentava dificuldades antes da liquidação. Em busca de captar clientes, oferecia CDBs com rendimento acima da média do mercado, chegando a 140% do CDI. A estratégia, porém, veio acompanhada de uma carteira de crédito considerada arriscada e da investigação da Polícia Federal envolvendo executivos da instituição.

Com a intervenção do Banco Central e o congelamento das aplicações, investidores com até R$ 250 mil passaram a depender integralmente da cobertura do FGC - e das orientações oficiais para o ressarcimento.

Como será o processo correto de restituição

Segundo o FGC, o passo a passo oficial é o seguinte:

1.    Aguardar o envio da lista de credores pelo liquidante — etapa que pode levar cerca de 30 dias.

  1. Acessar o aplicativo oficial do FGC quando o sistema for liberado.
  2. Enviar documentos, realizar biometria e assinar digitalmente.
  3. Aguardar o pagamento, que ocorre em até dois dias úteis.
  4. Nenhum outro procedimento é válido ou reconhecido pelo órgão.

Medidas para se proteger

As principais recomendações são:

  • usar apenas os canais oficiais do FGC;
  • desconfiar de promessas de agilidade;
  • nunca fornecer códigos, senhas ou documentos a desconhecidos;
  • não clicar em links enviados por mensagens;
  • manter antivírus atualizado;
  • verificar URLs antes de acessar sites suspeitos.

Autoridades recomendam denúncia e atenção redobrada

Órgãos de defesa do consumidor orientam vítimas ou alvos de tentativas de golpe a registrar boletim de ocorrência e avisar o próprio banco. A liquidação do Banco Master segue em andamento, e todos os investidores cobertos serão informados, de forma oficial, assim que o processo de ressarcimento for iniciado.

Redação: Rádio Vida, com informações da Agência Brasil




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