Douglas Alves da Silva, de 26 anos, preso neste domingo (30) após um brutal caso de tentativa de feminicídio na Marginal Tietê, em São Paulo, já havia sido alvo da Justiça por envolvimento com armas de fogo; o histórico criminal do suspeito lança luz sobre a escalada de violência que culminou no ataque que deixou Taynara Souza Santos, de 31 anos, gravemente ferida.
Em 2023, Douglas foi detido em flagrante e indiciado por posse, porte ou comércio ilegal de armas, crime cuja pena varia de três a seis anos de reclusão; apesar da gravidade da acusação, ele conseguiu responder ao processo em liberdade após pagar fiança.
Na época, também firmou um termo de não persecução penal, acordo oferecido pelo Ministério Público para evitar o andamento de um processo judicial quando a pena mínima é inferior a quatro anos e o investigado admite a infração; no entanto, o procedimento se arrastou por meses devido ao descumprimento de medidas cautelares por parte do suspeito.
A nova prisão ocorreu na noite de domingo (30), horas depois de vir à tona o vídeo que mostra Douglas atropelando e arrastando a vítima pela Marginal Tietê, na região da Vila Maria, durante a manhã de sábado (29); segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), ele agiu com intenção clara de matar.
Após buscas, o suspeito foi localizado em um hotel na Vila Prudente, zona Leste da capital; a abordagem, porém, não foi pacífica: Douglas teria resistido violentamente à prisão, tentando inclusive tomar a arma de um policial, conforme registro de ocorrência.
Durante a luta corporal, um investigador disparou contra o braço do suspeito, enquanto outro policial acabou ferindo um dos dedos ao imobilizá-lo; depois de receber atendimento médico no Hospital Municipal Vila Alpina, Douglas foi encaminhado para a 4ª Seccional do Cerco (Corpo Especial de Repressão ao Crime Organizado), devendo responder também por resistência e lesão corporal.
Exames periciais foram solicitados tanto no quarto do hotel quanto nos corpos de Douglas e do policial ferido.
O ataque e a vítima
O crime ocorreu por volta das 6h de sábado (29); Taynara estava acompanhada de uma amiga em um bar momentos antes do ataque. Imagens de câmeras de segurança mostram a vítima caminhando com um homem - possivelmente Douglas - antes de desaparecer do ângulo, sendo que cerca de 30 segundos depois o atropelamento é registrado.
O motorista do Volkswagen Polo não apenas atingiu a vítima, mas passou com o carro por cima dela e a arrastou pela via; um segundo vídeo, gravado por um motorista que trafegava na Marginal, mostra o corpo sendo arrastado por uma longa extensão da avenida.
Taynara foi levada em estado crítico ao Hospital Municipal Vereador José Storopolli; mãe de dois filhos, sofreu graves ferimentos no rosto e nas pernas, precisou ser entubada e submetida à amputação das duas pernas abaixo dos joelhos, além de necessitar de transfusão de sangue; ela segue internada, estável, porém em estado extremamente delicado.
Uma jovem cheia de vida, agora lutando pela sobrevivência
Entre amigas e familiares, Taynara é lembrada por sua leveza e alegria; descrita como alguém que iluminava os ambientes por onde passava, tinha uma paixão especial pela dança.
“Ela é muito querida, sempre feliz; ama dançar e cantar. Estou desesperada, só quero que ela acorde e consiga falar comigo”, relatou, emocionada, a amiga Edna Marinho.
Mãe de dois filhos pequenos, Taynara havia passado a noite em um bar com uma amiga antes de desaparecer do campo de visão das câmeras de segurança, já acompanhada de Douglas; cerca de 30 segundos depois, as câmeras registraram o impacto do carro. Outras gravações feitas por motoristas que trafegavam na Marginal mostram o corpo da vítima sendo arrastado pela pista expressa.
O caso foi registrado pelo 73º Distrito Policial, no Jaçanã; a Polícia Civil busca esclarecer qual era a relação entre Douglas e Taynara, já que vídeos indicam que ambos estavam juntos momentos antes do ataque. As autoridades tratam o episódio como tentativa de feminicídio e seguem reunindo provas, análises periciais e depoimentos para aprofundar a investigação.
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