A Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC) ampliou a mobilização contra o que classifica como importação excessiva e desordenada de cacau no Brasil. Como parte das ações, representantes da entidade têm reunião marcada para esta quarta-feira (4) com o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), em Salvador. O encontro tem como principal objetivo discutir os impactos da Instrução Normativa nº 125, que autoriza a importação do produto e, segundo o setor, tem provocado prejuízos significativos à produção nacional.
De acordo com a ANPC, a normativa tem afetado diretamente a competitividade do cacau produzido no país, especialmente na Bahia, maior estado produtor do Brasil. Os produtores afirmam que a entrada de cacau importado, muitas vezes a preços mais baixos, compromete a renda dos agricultores, desestimula a produção local e ameaça milhares de empregos ligados à cadeia produtiva.
No Sul da Bahia, a insatisfação do setor tem se traduzido em uma série de manifestações públicas. Na sexta-feira (6), produtores rurais organizam uma carreata que terá início no município de Aurelino Leal, percorrendo diversas cidades da região, com concentração final em Jequié. Já no sábado (7), está prevista uma nova mobilização, desta vez com bloqueio parcial de via no município de Presidente Tancredo Neves, como forma de chamar a atenção das autoridades para as reivindicações do setor.
A presidente da ANPC, Vanusa Barrozo, ressaltou que, embora a revogação da Instrução Normativa 125 seja uma atribuição do governo federal, o governo da Bahia pode desempenhar um papel estratégico na defesa dos produtores. Segundo ela, a expectativa é que o governador atue como interlocutor junto aos ministérios responsáveis e leve as demandas do setor cacaueiro aos fóruns nacionais de decisão.
“O governador tem peso político e pode ser uma voz importante na defesa dos produtores baianos, ajudando a pressionar pela revisão dessa norma que vem prejudicando quem produz no Brasil”, afirmou Vanusa.
A mobilização, no entanto, não se restringe à Bahia. Manifestações semelhantes também estão sendo organizadas nos estados do Pará e do Espírito Santo, reforçando o caráter nacional do movimento. A ANPC destaca que a luta não é contra o comércio internacional, mas pela adoção de critérios mais equilibrados que protejam a produção nacional e garantam a sustentabilidade da cadeia do cacau no país.
Nos próximos dias, a entidade pretende intensificar o diálogo com parlamentares, governos estaduais e representantes do Executivo federal, na tentativa de construir uma solução que assegure melhores condições aos produtores e preserve a importância econômica e social da cacauicultura brasileira.
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