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Especialistas alertam para riscos no trânsito após mudanças nas regras de renovação da CNH

Publicada em 09/03/2026 às 11:07h - Redação Rádio Vida


Especialistas alertam para riscos no trânsito após mudanças nas regras de renovação da CNH
 (Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil)



A Associação Brasileira de Medicina de Tráfego divulgou um alerta sobre os impactos que decisões administrativas podem causar na segurança viária, especialmente após a implementação de novas regras relacionadas à renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação. A entidade destaca que alterações aparentemente simples nas normas podem aumentar significativamente os riscos de acidentes e mortes no trânsito.

De acordo com a entidade, estudos mostram que um aumento de apenas 5% na velocidade permitida em uma via pode elevar em até 20% o número de mortes entre usuários que circulam por ela. Esse dado integra a nova diretriz intitulada “Tolerância Humana a Impactos: implicações para a segurança viária”, que reúne evidências científicas sobre os limites do corpo humano diante de colisões.

Limites do corpo humano no trânsito

Segundo a Abramet, o principal conceito da diretriz é que o corpo humano possui limitações biomecânicas que não podem ser ignoradas no planejamento de políticas públicas de mobilidade. A entidade ressalta que, em um acidente, a energia liberada cresce de forma exponencial conforme a velocidade aumenta, ultrapassando rapidamente a capacidade fisiológica de absorção do impacto.

Para o presidente da associação, Antonio Meira Júnior, a discussão vai além de comportamento dos motoristas ou engenharia viária.

“A diretriz evidencia que estamos lidando também com limites biológicos. Quando esses limites são ignorados, aumentam os casos de mortes e sequelas graves, inclusive em velocidades consideradas legais”, afirmou.

Usuários mais vulneráveis

O documento também aponta que pedestres, ciclistas e motociclistas estão entre os mais expostos aos riscos. Em colisões envolvendo pessoas fora do veículo, a velocidade responde por cerca de 90% da energia transferida ao corpo da vítima, fator determinante para a gravidade das lesões.

Dados do DataSUS indicam que esses grupos representam mais de 75% das internações hospitalares relacionadas a acidentes de trânsito no país. A situação é agravada pela combinação entre excesso de velocidade, infraestrutura inadequada e baixa proteção física.

Outro ponto abordado pela diretriz é o crescimento da frota de veículos utilitários esportivos (SUVs), que possuem frente mais alta e estão associados a maior risco de ferimentos fatais em pedestres e ciclistas, mesmo em velocidades moderadas.

Renovação automática da CNH gera debate

A publicação da diretriz ocorre em meio à entrada em vigor da Medida Provisória 1327/2025, que autoriza a renovação automática da CNH para determinados motoristas, sem a obrigatoriedade de exames de aptidão física e mental.

Para a Abramet, o tema é sensível porque a capacidade de dirigir não é permanente. Condições como envelhecimento, doenças neurológicas e cardiovasculares, distúrbios do sono, osteoporose e sequelas de traumatismos podem reduzir a resistência do corpo humano a impactos e desacelerações bruscas, tornando necessária a avaliação médica periódica.

A entidade ressalta que a aptidão para conduzir veículos depende de fatores como estado de saúde, idade e nível de exposição ao risco, o que reforça a importância do acompanhamento por médicos especializados em medicina do tráfego.

Resultados iniciais da nova medida

Segundo dados divulgados pelo Secretaria Nacional de Trânsito, a nova regra beneficiou 323.459 motoristas já na primeira semana de vigência. A estimativa é que a iniciativa tenha gerado uma economia de aproximadamente R$ 226 milhões em taxas, exames e custos administrativos.

A maioria dos beneficiados possui habilitação categoria B, destinada à condução de automóveis, representando 52% das renovações automáticas. Motoristas com habilitação AB, que permite dirigir carros e motocicletas, correspondem a 45%, enquanto condutores exclusivamente de motocicletas (categoria A) somam 3%.

Para participar do processo automático, o condutor precisa estar inscrito no Registro Nacional Positivo de Condutores, que reúne motoristas sem infrações de trânsito nos últimos 12 meses. O cadastro pode ser realizado por meio do aplicativo Carteira Digital de Trânsito ou no portal da Senatran.

Quem não poderá renovar automaticamente

Apesar da novidade, alguns grupos continuam obrigados a realizar o procedimento presencial nos Detrans estaduais. Entre eles estão motoristas com 70 anos ou mais, que precisam renovar o documento a cada três anos, e aqueles cuja validade da CNH foi reduzida por recomendação médica.

Também ficam de fora os condutores com a habilitação vencida há mais de 30 dias. Já motoristas acima de 50 anos, que renovam o documento a cada cinco anos, poderão utilizar o processo automático apenas uma vez.

Recomendações para segurança viária

A Abramet defende que políticas de trânsito levem em consideração limites de velocidade compatíveis com a tolerância humana, além da adoção permanente de programas de gestão da velocidade e campanhas educativas.

Segundo a associação, decisões sobre mobilidade não devem considerar apenas fatores como fluidez do tráfego ou simplificação administrativa, mas também evidências científicas, dados epidemiológicos e aspectos clínicos relacionados à segurança dos usuários das vias




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