Depois de viver por quatro décadas em cativeiro, a tartaruga-cabeçuda Jorge, nascida na costa da Bahia por volta de 1960, emocionou o mundo ao retornar ao mar em abril de 2024. No entanto, a história de superação e liberdade ganhou um capítulo incerto: o sinal do dispositivo de rastreamento que acompanhava o animal parou de funcionar, e desde 29 de julho, Jorge não é mais localizado.
A última posição registrada do animal foi na Baía de Guanabara, no estado do Rio de Janeiro, para onde Jorge se dirigiu após ser devolvido ao oceano. O trajeto surpreendeu os biólogos, já que a expectativa era que ele rumasse diretamente para o litoral baiano, sua terra natal.
Da Argentina para o mundo
Jorge foi encontrado ferido em uma rede de pesca na costa da Argentina, em Bahía Blanca, no ano de 1984, quando tinha aproximadamente 20 anos. Desde então, viveu no aquário de Mendoza, onde se tornou uma atração local e símbolo de resistência. A reabilitação e soltura de tartarugas marinhas ainda não eram práticas comuns na época em que foi resgatado.
Com o tempo, cresceu a mobilização para que Jorge retornasse ao habitat natural. Em 2021, um grupo de advogados ambientais iniciou uma batalha judicial para sua libertação. Após três anos de adaptação, ele finalmente voltou ao mar.
Falha no rastreamento é comum, dizem técnicos
O desaparecimento do sinal de rastreamento via satélite não significa necessariamente que algo ruim tenha acontecido. A prefeitura de Mendoza, que monitorava Jorge, explicou em nota que esse tipo de interrupção é relativamente frequente em projetos semelhantes.
Entre os motivos possíveis estão:
Os especialistas reforçam que a perda do sinal não implica em problemas com a saúde da tartaruga. Ainda assim, a ausência de informações concretas preocupa ambientalistas e o público que acompanhava sua jornada.
Símbolo de resistência animal
Com cerca de 60 anos e 130 quilos, Jorge detém um feito notável: é a tartaruga marinha que passou mais tempo em cativeiro em todo o mundo. Estudos genéticos confirmaram sua origem baiana, fortalecendo a importância do resgate e retorno do animal às águas brasileiras.
O Projeto Aruanã, que atua no monitoramento de tartarugas na Baía de Guanabara e regiões próximas, também acompanha o caso e deve se pronunciar em breve sobre a situação.
Enquanto isso, resta a torcida para que Jorge continue sua jornada silenciosa pelo Atlântico - longe dos holofotes, mas ainda no coração de quem lutou por sua liberdade.
Fonte: g1 BA
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