A Polícia Civil da Bahia cumpriu, na quinta-feira (2), um mandado de prisão preventiva contra o empresário Laércio de Souza Silva, em Seabra, na Chapada Diamantina. Ele é acusado de chefiar um esquema de exploração sexual de adolescentes, que teria funcionado nos últimos dois anos em pousadas localizadas em Lençóis, um dos destinos turísticos mais visitados do estado.
De acordo com as investigações, Laércio usava a estrutura das pousadas para atrair meninas entre 12 e 17 anos, oferecendo dinheiro, presentes, viagens e até falsas promessas de trabalho e oportunidades de estudo. A polícia aponta que o empresário também convencia algumas adolescentes a aliciar colegas e amigas, ampliando a rede de vítimas.
O inquérito apura crimes de estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição, corrupção de menores e induzimento à fuga.
Na operação, além da prisão do empresário, a polícia apreendeu celulares, computadores e documentos que, segundo os investigadores, já trouxeram indícios da existência de cúmplices e intermediários. Mensagens trocadas em aplicativos revelariam contatos com potenciais clientes e tentativas de recrutar novas vítimas.
O delegado Matheus Oliveira, responsável pelo caso, destacou que o esquema tinha características de organização criminosa.
“As análises preliminares confirmam que Laércio não agia sozinho. Há outros envolvidos que podem ter colaborado diretamente com os crimes. Estamos intensificando as diligências para identificar cúmplices e resgatar possíveis novas vítimas”, explicou.
A denúncia tem causado repercussão em Lençóis, cidade considerada a porta de entrada para o Parque Nacional da Chapada Diamantina. Uma das pousadas ligadas ao empresário foi citada em depoimentos como ponto de encontro para a prática dos crimes. A polícia não descarta que outros estabelecimentos tenham sido utilizados.
Representantes do trade turístico local manifestaram preocupação com o impacto da investigação na imagem da cidade, que recebe milhares de visitantes brasileiros e estrangeiros anualmente.
Após ser preso, Laércio foi encaminhado ao sistema prisional da Bahia, onde permanece à disposição da Justiça. Ele já tinha sido citado em denúncias informais, mas esta é a primeira vez que foi alvo de ação judicial formal.
A Polícia Civil informou que continuará ouvindo vítimas, analisando provas e monitorando possíveis conexões interestaduais do esquema. Há suspeitas de que algumas adolescentes foram levadas para outras cidades da Bahia e até para fora do estado.
Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), os crimes atribuídos ao empresário podem resultar em penas superiores a 15 anos de prisão, a depender da soma das condenações.
A população pode colaborar com as investigações. Casos de exploração sexual infantil podem ser denunciados anonimamente pelo Disque 100 ou pelo aplicativo Delegacia Digital da Polícia Civil da Bahia.
Fonte: g1 BA
Nosso Whatsapp (75) 9 8844-3155