A Prefeitura de Osasco, na região metropolitana de São Paulo, tornou-se alvo de críticas após descartar centenas de livros pertencentes à Biblioteca Pública Monteiro Lobato. O material foi jogado no lixo na última sexta-feira (24), e a situação ganhou grande repercussão nas redes sociais ao longo do fim de semana.
Registros em fotos, vídeos e relatos de moradores mostram pilhas de obras sendo descartadas, o que gerou questionamentos sobre a condução do processo e a preservação do patrimônio público. Diante da repercussão, a administração municipal informou, por meio de nota oficial, que os livros estavam comprometidos por mofo e fungos, o que teria motivado a decisão de eliminá-los para evitar danos ao restante do acervo.
A biblioteca, que permanece fechada desde 2020 para reformas, ainda não tem data definida para reabertura, segundo a própria prefeitura.
Reações e críticas
A decisão provocou forte reação de moradores e personalidades locais. O quadrinista Cadu Simões manifestou indignação nas redes sociais, destacando que havia contribuído com doações ao acervo e teme que parte desse material tenha sido descartada.
Ele também questionou a necessidade da medida, afirmando que, mesmo em casos de contaminação por fungos, existem técnicas de restauração que poderiam ter sido adotadas. Em sua avaliação, a situação reflete falta de cuidado com o espaço ao longo dos anos.
A ex-vereadora Juliana Gomes Curvelo também criticou a ação, ressaltando a importância histórica e social da biblioteca para estudantes da rede pública. Segundo ela, o descarte simboliza o esvaziamento de um espaço que sempre foi referência de acesso à leitura e ao conhecimento na cidade.
Prefeitura promete reposição do acervo
Em resposta às críticas, a gestão municipal afirmou que o processo de avaliação dos livros está sendo acompanhado por profissionais da área de biblioteconomia. A prefeitura garantiu ainda que os títulos descartados serão substituídos por novos exemplares após a aquisição de obras atualizadas.
A administração também reiterou que o local passa por um processo de reestruturação, com o objetivo de oferecer melhores condições de atendimento à população. No entanto, não foi informado quando a biblioteca voltará a funcionar.
O caso reacende o debate sobre conservação de acervos públicos, políticas de manutenção de espaços culturais e a importância do acesso à leitura, especialmente para estudantes e comunidades mais vulneráveis.
Fonte: Agência Brasil
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