Em resposta à recente decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifas de até 50% sobre produtos importados, incluindo exportações brasileiras, o governo da Bahia lançou nesta segunda-feira (15), em Salvador, um grupo de trabalho interinstitucional com o objetivo de avaliar os impactos econômicos dessas medidas no estado. O encontro reuniu representantes de secretarias estaduais, da indústria, agronegócio, comércio exterior, além de especialistas em economia e relações internacionais.
A iniciativa busca mapear riscos e oportunidades para os setores produtivos baianos, que poderão ser afetados diretamente - como a indústria e o agronegócio - ou indiretamente, pela mudança de fluxos comerciais globais. As novas tarifas norte-americanas, que incidem sobre segmentos como celulose, pneus, manteiga, químicos, e tecnologia, começam a valer em 1º de agosto e trazem preocupação aos exportadores locais.
Coordenado pelas secretarias da Casa Civil, Desenvolvimento Econômico (SDE) e Agricultura (Seagri), o grupo contará ainda com apoio da Secretaria da Fazenda (Sefaz), Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais (SEI) e da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB).
“Precisamos agir preventivamente para compreender e mitigar os efeitos dessa taxação. É fundamental proteger nossos setores exportadores, que representam importante fatia do PIB estadual”, declarou Luiz Petitinga, secretário da Casa Civil.
Além do governo, participaram do encontro representantes da FIEB, Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA), Associação Comercial da Bahia (ACB) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), reforçando a união entre os setores produtivos.
Entre os mais afetados estão o agronegócio - com foco em celulose, frutas, cacau, algodão e grãos, e a indústria química e automotiva. Muitas dessas cadeias produtivas estão inseridas em complexas redes globais, sujeitas a alterações na demanda e oferta diante do redirecionamento comercial provocado pela taxação.
Empresas como Bracell, Suzano e Veracel acompanham o cenário internacional com cautela. No oeste da Bahia, produtores já manifestam preocupação quanto à retração dos mercados e à instabilidade nos acordos bilaterais.
“O agro depende de previsibilidade para planejar safra, investimentos e logística. Essas mudanças impactam diretamente nossas operações”, alertou um representante da AIBA.
Os Estados Unidos figuram atualmente como o terceiro maior mercado para as exportações baianas, atrás da China e do Canadá. No primeiro semestre de 2025, as vendas ao país somaram cerca de US$ 440 milhões (aproximadamente R$ 2,4 bilhões), representando cerca de 1% do PIB estadual.
Carlos Henrique Passos, presidente da FIEB, destacou o risco que a medida representa para a indústria local, que responde por cerca de 90,6% das exportações para os EUA:
“Além do custo interno elevado, como juros e infraestrutura, a redução da escala produtiva pode levar ao fechamento de plantas industriais, perda de empregos e queda na renda da população.”
Um caso emblemático ocorreu logo após o anúncio, com a suspensão de uma grande encomenda de peixes para os EUA, envolvendo 58 contêineres no Porto de Salvador.
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) criticou a decisão americana, apontando que as disputas políticas não podem prejudicar o setor produtivo baiano.
“A política não pode pagar a conta dessa decisão. A soberania nacional deve ser respeitada, e esperamos diálogo e bom senso para preservar relações comerciais históricas”, afirmou durante agenda em Salvador.
Até o fim de agosto, o grupo de trabalho deverá apresentar um relatório com cenários econômicos, recomendações de políticas públicas e estratégias para mitigar os efeitos negativos da taxação, que será encaminhado ao governo federal e ao Itamaraty.
Paralelamente, a Bahia defenderá junto ao Consórcio Nordeste a formação de uma frente regional para acompanhamento e articulação conjunta frente à crise comercial.
A economista Ana Georgina, do Dieese, destacou o impacto antecipado da expectativa sobre a economia local:
“Mesmo antes da aplicação das tarifas, agentes econômicos já ajustam planos, o que pode causar efeitos negativos como excesso de oferta interna e, em casos extremos, desemprego.”
A Bahia, por meio dessa articulação estratégica, busca garantir a manutenção do crescimento econômico, proteger empregos e fortalecer a resiliência frente às turbulências do comércio internacional.
Fonte: g1
Nosso Whatsapp (75) 9 8844-3155