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Brasil suspende importação de cacau da Costa do Marfim por risco fitossanitário e suspeita de triangulação de cargas

Ministério da Agricultura aponta que grãos de países vizinhos podem estar sendo misturados ao cacau marfinense antes de chegar ao Brasil; setor cacaueiro nacional comemorou a decisão

Publicada em 24/02/2026 às 10:12h - Redação Rádio Vida


Brasil suspende importação de cacau da Costa do Marfim por risco fitossanitário e suspeita de triangulação de cargas
Codeba/Giro de Ipiaú  (Foto: Reprodução)



O governo federal deu uma resposta contundente ao setor cacaueiro nacional. O Ministério da Agricultura e Pecuária publicou no Diário Oficial da União desta terça-feira (24) a suspensão imediata e temporária das importações de amêndoas fermentadas e secas de cacau provenientes da Costa do Marfim, maior produtor mundial do grão.

A decisão, formalizada pelo Despacho Decisório nº 456, de 23 de fevereiro de 2026, tem como fundamento principal a identificação de risco fitossanitário associado à real origem das cargas destinadas ao mercado brasileiro. O problema está no elevado fluxo de grãos de países vizinhos para o território marfinense, o que pode favorecer a mistura de amêndoas de diferentes procedências nas exportações — prática conhecida como triangulação de cargas. Com isso, o Brasil estaria potencialmente recebendo produtos de regiões com status fitossanitário desconhecido ou não autorizado.

Para investigar os casos de triangulação, o despacho determina que a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais e a Secretaria de Defesa Agropecuária realizem apurações específicas sobre a real origem do cacau importado.

A medida atende a uma reivindicação antiga do setor produtivo brasileiro. A Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC) e outras entidades representativas vinham promovendo manifestações e alertando o governo federal sobre os impactos das importações sobre a produção nacional — especialmente relevante para estados como a Bahia, um dos maiores polos cacaueiros do país.

A suspensão seguirá em vigor até que o governo da Costa do Marfim apresente manifestação formal ao Brasil, acompanhada de garantias sanitárias que assegurem que os envios não contenham amêndoas de nações vizinhas sem autorização para exportar ao mercado brasileiro.




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