Em meio a um cenário internacional menos tenso, o dólar encerrou esta sexta-feira (24) abaixo da marca de R$ 5, refletindo a redução da aversão ao risco nos mercados globais. Já o Ibovespa, principal indicador da bolsa brasileira, registrou nova queda e fechou a semana no vermelho, pressionado por fatores externos e pela realização de lucros.
A moeda norte-americana foi negociada a R$ 4,998 no fechamento, com leve recuo de 0,1% no dia. O movimento foi influenciado principalmente pela expectativa de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã, após a extensão de um cessar-fogo na região. Esse ambiente mais estável reduziu a procura por ativos considerados seguros, como o dólar, favorecendo moedas de países emergentes, como o real.
Apesar da queda diária, a divisa acumulou alta de 0,32% na semana. No entanto, no acumulado de 2026, o dólar ainda apresenta desvalorização de 8,92%, reflexo da recente valorização da moeda brasileira, que chegou a atingir o menor patamar em mais de dois anos.
Nos últimos dias, o câmbio passou por ajustes técnicos, com investidores aproveitando a queda recente da moeda para realizar lucros. O Banco Central do Brasil chegou a anunciar uma possível intervenção no mercado, com oferta simultânea de dólares à vista e contratos futuros - operação conhecida como “casadão”. No entanto, as propostas não foram aceitas, sinalizando que a autoridade não viu necessidade de atuar naquele momento.
Bolsa em queda e cautela no mercado
No mercado acionário, o Ibovespa fechou em baixa de 0,33%, aos 190.745 pontos, atingindo o menor nível desde meados de abril. Durante o pregão, o índice chegou a cair abaixo dos 190 mil pontos, refletindo a venda de ações por investidores que buscaram garantir ganhos após recordes recentes.
Esta foi a terceira queda consecutiva do indicador, que teve desempenho positivo em apenas um dos últimos sete pregões. No acumulado da semana, as perdas somaram 2,55%. Ainda assim, o índice mantém alta de 1,75% no mês e avanço expressivo de 18,38% no ano.
Entre os fatores que pressionaram a bolsa estão o desempenho negativo de empresas ligadas ao setor de petróleo e o cenário externo indefinido, com bolsas norte-americanas operando sem direção única — enquanto empresas de tecnologia avançaram, setores mais tradicionais recuaram.
Petróleo oscila com tensões geopolíticas
Os preços do petróleo tiveram um dia de forte volatilidade, impactados tanto por tensões no Oriente Médio quanto por sinais de possível distensão entre Estados Unidos e Irã.
O barril do tipo Brent, referência internacional, encerrou o dia cotado a US$ 99,13, com leve queda de 0,22%. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, fechou a US$ 94,40, com recuo de 1,5%.
Apesar das oscilações diárias, os preços acumulam forte alta na semana: cerca de 16% no caso do Brent e quase 13% para o WTI. O avanço reflete preocupações com a oferta global da commodity, especialmente diante das incertezas envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das principais vias de transporte de petróleo do mundo, que segue operando com restrições e episódios de tensão.
O cenário segue sendo acompanhado de perto por investidores, que mantêm cautela diante das incertezas geopolíticas e seus impactos na economia global.
Fonte: Reuters
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