A dramaturgia brasileira perdeu nesta terça-feira (18) uma de suas artistas mais marcantes. Glória Menezes morreu aos 91 anos, em sua residência, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela família, e, segundo a assessoria da atriz, a morte ocorreu por causas naturais.
Com uma carreira construída ao longo de mais de 60 anos, Glória Menezes esteve presente em diferentes fases da televisão brasileira e também deixou sua marca no teatro e no cinema. Sua trajetória foi marcada por personagens de grande repercussão e por trabalhos que ajudaram a consolidar a teledramaturgia no país.
Nascida Nilcedes Soares Guimarães, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, a atriz começou a se aproximar das artes ainda jovem. Antes de conquistar espaço na televisão, estudou na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (USP), experiência que contribuiu para sua formação profissional e para os primeiros passos nos palcos.
A chegada à televisão ocorreu no final dos anos 1950. Poucos anos depois, Glória passou a integrar um capítulo importante da história da teledramaturgia. Em 1963, protagonizou ao lado de Tarcísio Meira a novela “2-5499 Ocupado”, exibida pela extinta TV Excelsior. A produção ficou registrada como a primeira novela diária da televisão brasileira.
Na trama, Glória interpretava Emily, enquanto Tarcísio Meira dava vida a Larry. A parceria entre os dois ultrapassou as telas e se transformou em uma das uniões artísticas mais conhecidas da televisão brasileira.
Ainda na TV Excelsior, o casal participou de outras produções importantes, como “A Deusa Vencida” e “Almas de Pedra”. Em 1967, ambos chegaram à TV Globo, onde iniciaram uma longa trajetória em uma das principais emissoras do país.
Personagens que atravessaram gerações
Ao longo dos anos, Glória Menezes demonstrou versatilidade ao interpretar personagens com características bastante diferentes. Um dos grandes momentos de sua carreira aconteceu em “Irmãos Coragem”, exibida em 1970, quando viveu Lara, Diana e Márcia.
A década de 1970 também trouxe outros trabalhos de destaque. Em “Pai Herói”, de 1979, interpretou Ana Preta. Já em “Guerra dos Sexos”, de 1983, assumiu o papel de Roberta, em uma produção que ganhou grande popularidade entre o público.
Outro personagem de grande repercussão surgiu em “Brega & Chique”, de 1987, quando interpretou Rosemere. Três anos depois, a atriz voltou a chamar atenção ao viver Laurinha Figueroa em “Rainha da Sucata”, personagem que se tornou um dos papéis mais lembrados de sua trajetória.
Durante as décadas seguintes, Glória continuou participando de produções de grande audiência. Seu currículo inclui trabalhos como “A Próxima Vítima”, “Torre de Babel”, “O Beijo do Vampiro”, “Senhora do Destino”, “Páginas da Vida” e “A Favorita”.
Seu último trabalho em uma novela aconteceu em “Totalmente Demais”, em 2015, quando interpretou Stelinha. Depois disso, a atriz reduziu a participação em produções regulares, embora continuasse aparecendo em projetos especiais e homenagens.
Em 2018, participou do humorístico “Tá no Ar: a TV na TV”, interpretando a si mesma. Dois anos depois, apareceu na série “Os Casais Que Amamos”, exibida pelo canal Viva.
Homenagem poucos dias antes da morte
Um dos últimos reconhecimentos públicos recebidos pela atriz ocorreu em agosto de 2026. Glória Menezes foi homenageada pela Calçada da Fama da Globo durante uma cerimônia realizada no dia 12 de agosto.
O reconhecimento ocorreu poucos dias antes de sua morte e colocou novamente em evidência a importância da artista para a história da televisão brasileira. Na mesma ocasião, também foram lembrados outros grandes nomes ligados à emissora, incluindo Tarcísio Meira, que morreu em 2021.
História construída ao lado de Tarcísio Meira
Além da carreira artística, Glória Menezes teve uma longa história pessoal e profissional ao lado de Tarcísio Meira. Os dois permaneceram casados durante 59 anos e formaram uma das duplas mais conhecidas da dramaturgia nacional.
A parceria profissional começou ainda nos primeiros anos da televisão e continuou por décadas, com os dois dividindo o elenco de diversas novelas e produções. Entre os trabalhos conjuntos estão “Rosa Rebelde”, “Irmãos Coragem”, “O Homem Que Deve Morrer”, “Cavalo de Aço”, “O Semideus”, “Espelho Mágico”, “Guerra dos Sexos”, “Torre de Babel”, “Páginas da Vida” e “A Favorita”.
Em 1988, os dois também protagonizaram o seriado “Tarcísio & Glória”, no qual atuaram e participaram da produção.
Vínculo com o Pará
A história da família também ficou ligada ao Pará por causa da propriedade rural mantida por Tarcísio Meira no estado. A Fazenda São Marcos, localizada na zona rural de Aurora do Pará, tornou-se um dos locais de descanso do casal durante os períodos em que estavam afastados das atividades profissionais.
A relação de Tarcísio com a região começou após uma viagem pela Amazônia, quando o ator conheceu a área e decidiu investir na propriedade. O local possui mais de 10 mil hectares e reúne atividades ligadas à pecuária e à agricultura, além de áreas preservadas.
Depois da morte de Tarcísio Meira, em agosto de 2021, aos 85 anos, os negócios rurais da família passaram a ser administrados pelo filho do casal, Tarcísio Filho.
Família e legado
Glória Menezes deixa três filhos. Com Tarcísio Meira, teve Tarcísio Filho, que também seguiu carreira artística. Antes do relacionamento com Tarcísio, a atriz foi casada com Arnaldo Brito, com quem teve João Paulo e Maria Amélia.
A morte de Glória encerra uma trajetória que acompanhou diferentes períodos da televisão brasileira, desde os primeiros anos das novelas diárias até as produções contemporâneas. Sua obra permanece registrada em dezenas de personagens, novelas, séries e trabalhos que ajudaram a formar a memória da dramaturgia nacional.
“Glória Menezes deixa para a dramaturgia brasileira uma trajetória construída ao longo de mais de seis décadas, marcada por personagens inesquecíveis e por sua contribuição à história da televisão.”
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