Foto | Felipe Oliveira | EC Vitória Foto | Felipe Oliveira | EC Bahia
Com 39 anos e uma trajetória marcada por altos e baixos, o lateral-direito Nino Paraíba está de volta ao mercado da bola após cumprir, integralmente, uma suspensão de 720 dias imposta pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Réu confesso na Operação Penalidade Máxima, que investigou esquemas de manipulação de resultados no futebol brasileiro, o jogador agora busca reconstruir a carreira e encerrar sua jornada dentro dos gramados de maneira digna.
“Estou arrependido. Errei, paguei caro, mas quero mostrar que aprendi”, afirmou o veterano em recente entrevista. Nino foi punido por ter aceitado dinheiro para forçar cartões amarelos em três partidas quando atuava pelo Ceará, durante a temporada de 2022. O objetivo era beneficiar apostadores que lucravam com ações específicas durante os jogos.
Da elite à várzea: um recomeço longe dos holofotes
Após o escândalo vir à tona, Nino teve o contrato rescindido com o Paysandu, clube com o qual havia disputado apenas uma partida. Sem espaço no futebol profissional, ele se refugiou nas ligas amadoras e na rotina simples da cidade de Rio Tinto, no interior da Paraíba.
Durante esse período, jogou por uma equipe indígena local e passou a ajudar a esposa na produção e entrega de doces. “Minha esposa fazia as tortas de chocolate e morango. Eu e meu cunhado íamos entregar. Foi o que me manteve de pé”, contou.
Mais do que sustento, a rotina longe dos gramados serviu como processo de reflexão e resgate emocional. O jogador diz que o convívio familiar, o apoio de amigos e a fé foram essenciais para suportar os momentos mais difíceis.
Penalidade severa e carreira manchada
Inicialmente, o lateral havia sido punido com 480 dias de suspensão e multa de R$ 40 mil, mas a pena foi ampliada para dois anos em julgamento do Pleno do STJD. A multa também subiu para R$ 100 mil, refletindo a gravidade da infração cometida.
A investigação, conduzida por Ministérios Públicos estaduais e órgãos do futebol, apontou que jogadores recebiam dinheiro de apostadores para provocar lances específicos, como cartões ou faltas, manipulando estatísticas e favorecendo lucros em plataformas de apostas.
Trajetória marcada por conquistas no Nordeste
Apesar do escândalo, Nino Paraíba construiu uma carreira sólida, sobretudo no futebol nordestino. Revelado no interior da Paraíba, despontou no cenário nacional a partir de 2009, quando foi contratado pelo Vitória. No clube rubro-negro, permaneceu por seis anos, somando 207 partidas, seis gols e três títulos do Campeonato Baiano (2010, 2013 e 2014).
Posteriormente, defendeu o arquirrival Bahia entre 2018 e 2021, onde também viveu bons momentos: 193 jogos, sete gols, três títulos estaduais consecutivos (2018 a 2020) e a Copa do Nordeste de 2021, sob o comando do técnico Dado Cavalcanti.
Retorno incerto, mas com esperança
Agora livre para assinar com qualquer clube, Nino admite que tem conversado com times da Série C do Campeonato Brasileiro, mas reconhece que o tempo parado e a idade avançada são obstáculos para um retorno imediato.
“Estou treinando, me cuidando e esperando uma chance. Sei que não será fácil, mas quero provar que ainda posso ajudar dentro de campo”, declarou.
Futuro e legado
Nino Paraíba diz não querer apagar o que fez, mas aprender com o erro. “O futebol me deu tudo. Errei por ganância, por influência errada, mas não quero que essa falha seja meu fim. Quero que as pessoas lembrem do atleta que lutou, venceu no Nordeste e teve coragem de reconhecer seu erro.”
Enquanto aguarda por uma nova oportunidade, o jogador segue sua rotina de treinos em solo paraibano, com a esperança de que algum clube esteja disposto a apostar não apenas no lateral-direito, mas no homem que busca redenção.
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