O Icasa deu um passo importante na longa batalha judicial travada contra a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ao confirmar o depósito de R$ 80,9 milhões referente à indenização pelo acesso à Série A do Campeonato Brasileiro que deixou de acontecer em 2014. O valor foi transferido para uma conta judicial vinculada ao processo, conforme informou o presidente do clube, Celso Pontes.
Apesar da cifra expressiva, o montante ainda não poderá ser utilizado integralmente pelo Verdão do Cariri. Isso porque a quantia ficará sujeita a abatimentos automáticos de dívidas trabalhistas, cíveis e fiscais que tramitam na Justiça. A diretoria destacou que ainda não há um levantamento definitivo sobre quanto será efetivamente descontado, já que os débitos estão distribuídos em diferentes ações judiciais.
Segundo o alvará judicial, a indenização total estipulada chega a R$ 84,3 milhões. Desse valor, R$ 75 milhões correspondem diretamente ao Icasa, enquanto o restante será destinado ao pagamento de honorários advocatícios, referentes à condução do processo ao longo de mais de uma década.
Planejamento esportivo e estrutural
Após a compensação das pendências judiciais, o clube pretende iniciar um processo de reorganização administrativa e esportiva. Entre as prioridades estão a modernização do Praxedão, centro de treinamento do Icasa, e o investimento na formação de um elenco competitivo para a disputa da Série B do Campeonato Cearense na próxima temporada.
Atualmente, o Icasa vive um período de reconstrução e não disputa a elite do futebol cearense desde 2022, cenário que a diretoria espera reverter gradualmente com o reforço financeiro, ainda que parcial.
Origem da indenização
A ação judicial tem origem na Série B do Campeonato Brasileiro de 2013. Naquela edição, o Figueirense escalou de forma irregular o jogador Luan Niezdzielski em uma partida contra o América-MG, mesmo com o atleta suspenso. O Icasa terminou a competição com um ponto a menos que o clube catarinense, que ficou na quarta colocação e conquistou o acesso à Série A de 2014.
O clube cearense acionou a Justiça Desportiva, solicitando a perda de pontos do Figueirense. Posteriormente, a própria CBF reconheceu o erro de arbitragem administrativa, que, caso aplicado à época, resultaria na retirada de pontos do time catarinense e no acesso direto do Icasa à elite do futebol nacional.
Disputa prolongada
Mesmo diante do reconhecimento do equívoco, a CBF recorreu das decisões judiciais, o que acabou prolongando o processo por mais de dez anos. Somente agora, após o encerramento das instâncias e a expedição do alvará, o valor começou a ser efetivamente transferido.
Para a diretoria do Icasa, o depósito representa não apenas uma compensação financeira, mas também o reconhecimento oficial de uma injustiça esportiva histórica, que impactou diretamente o futuro do clube dentro e fora de campo.
Nosso Whatsapp (75) 9 8844-3155