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NATAL SINDVALE
Internacional

Intervenção dos EUA na Venezuela acende alerta sobre soberania e enfraquece sistema multilateral, avaliam especialistas

Publicada em 05/01/2026 às 10:59h - Redação Rádio Vida


Intervenção dos EUA na Venezuela acende alerta sobre soberania e enfraquece sistema multilateral, avaliam especialistas
 (Foto: Reprodução ABC Affiliate WABC / Reuters )



A operação militar realizada pelos Estados Unidos na Venezuela, na madrugada do último sábado (3), provocou forte repercussão internacional e reacendeu o debate sobre soberania nacional, legalidade das intervenções armadas e o futuro das instituições multilaterais. A ação resultou na retirada forçada do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, além de confrontos armados e explosões registradas em Caracas.

De acordo com informações divulgadas pelo governo norte-americano, Maduro foi levado para Nova York, onde deverá responder a acusações relacionadas a uma suposta ligação com o tráfico internacional de drogas. Durante a incursão, forças de segurança venezuelanas foram mortas, agravando ainda mais a tensão política e social no país.

Para especialistas ouvidos pela Agência Brasil, a ofensiva representa um grave precedente e ameaça a estabilidade da América Latina e do Caribe, além de enfraquecer organismos internacionais criados para mediar conflitos entre nações.

Ataque à soberania nacional

O cientista político e professor de Relações Internacionais da Faculdade São Francisco de Assis (Unifin), Bruno Lima Rocha, classifica a ação como uma violação direta da soberania venezuelana e do direito internacional.

“Não existe, em nenhuma norma internacional, autorização para que os Estados Unidos atuem como uma espécie de polícia global”, afirma o professor. Segundo ele, mesmo que as acusações contra Nicolás Maduro fossem verdadeiras — o que Rocha contesta —, caberia a instâncias multilaterais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), deliberar sobre qualquer medida.

“O que ocorreu foi um sequestro de um chefe de Estado em pleno exercício do mandato, sem qualquer aval do sistema internacional”, reforça.

Rocha também critica a justificativa apresentada por Washington, que aponta supostos vínculos do governo venezuelano com grupos classificados como narcoterroristas. Para o pesquisador, a ação é “uma agressão imperialista explícita”, com claros interesses econômicos, sobretudo ligados às reservas de petróleo venezuelanas, consideradas as maiores do mundo.

Riscos para outros países da região

O especialista alerta ainda que a ofensiva pode servir como sinal de ameaça a outros países latino-americanos que possuem recursos naturais estratégicos de interesse dos Estados Unidos.

No caso do Brasil, Rocha avalia que eventuais decisões futuras, como a adoção de um monopólio estatal na exploração de minerais críticos ou a celebração de acordos com potências como China e Rússia fora do eixo do dólar, poderiam aumentar tensões com Washington. Ainda assim, ele pondera que a legislação brasileira atual reduz esse risco, já que permite a atuação de empresas estrangeiras sob regulação nacional e não estabelece controle estatal absoluto sobre minerais estratégicos.

Brasil em cenário geopolítico sensível

O professor Gustavo Menon, docente do Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Católica de Brasília (UCB), avalia que o Brasil vive um momento diplomático delicado diante da escalada de tensões no continente.

Segundo ele, a tendência do país é manter sua tradição histórica de defesa da diplomacia, da cooperação internacional e da não intervenção em conflitos armados. “O Brasil observa com grande preocupação uma intervenção militar direta em território sul-americano”, afirma.

Menon destaca que o Ministério das Relações Exteriores brasileiro tem sinalizado o reconhecimento da legitimidade de Delcy Rodríguez, vice-presidente da Venezuela, como presidente interina, em meio ao vazio de poder gerado pela retirada de Maduro.

“Essa ação inédita rompe com a ideia da América do Sul como uma zona de paz”, acrescenta.

Violação de normas internacionais e internas

Para Menon, a operação dos Estados Unidos não viola apenas princípios do direito internacional, mas também normas internas do próprio país. Ele ressalta que não houve autorização do Congresso norte-americano para a incursão militar, tampouco a emissão de mandados judiciais que legitimassem a captura do presidente venezuelano.

Enfraquecimento das instituições multilaterais

Os especialistas também chamam atenção para o impacto da ação sobre o sistema multilateral criado no pós-Segunda Guerra Mundial. Na avaliação de Menon, o episódio evidencia o enfraquecimento das instituições internacionais.

“Estamos assistindo ao colapso de um sistema que deveria garantir a mediação de conflitos e a preservação da soberania dos Estados. Essa institucionalidade está sendo esvaziada”, avalia.

Bruno Rocha compartilha da mesma visão e afirma que os Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, vêm desconsiderando acordos e organismos internacionais. “O sistema da ONU, que buscava estabelecer um equilíbrio global após a Segunda Guerra, está sendo desmontado pelo próprio país que ajudou a criá-lo”, diz.

Olhar atento para os próximos movimentos

Gustavo Menon defende que os países da região precisam acompanhar de perto os próximos passos de Washington, sobretudo diante do interesse estratégico no petróleo venezuelano e do fato de o país também integrar a região amazônica.

Segundo ele, a América do Sul passou a ocupar posição central na disputa geopolítica global por recursos naturais. “Ainda é cedo para saber como se dará essa tutela anunciada pelos Estados Unidos sobre a Venezuela, especialmente no controle das reservas petrolíferas”, afirma.

Para Menon, a ação envia uma mensagem direta à China e à Rússia, reforçando a ideia de que os Estados Unidos consideram a América Latina como área de influência histórica. “O que se impõe, cada vez mais, é a lógica da lei do mais forte”, conclui.

Bruno Rocha encerra com um alerta: “Ver uma superpotência liderada por um governo de extrema direita invadir um país soberano da América Latina é extremamente preocupante. Isso representa uma ameaça a toda a região, seja por intervenções militares diretas, pressões econômicas ou manipulações políticas”.

Com informações da Agência Brasil

 

 




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