O Brasil e a Índia deram um passo estratégico neste sábado (21) que pode redefinir o equilíbrio de forças na corrida mundial por minerais críticos. Em cerimônia em Nova Délhi, o presidente Lula e o primeiro-ministro Narendra Modi assinaram um memorando voltado à exploração conjunta de minerais críticos e terras raras, além de ampliar a cooperação no setor de energias renováveis.
O acordo chega em momento geopoliticamente sensível: a parceria também serve como estratégia da Índia para reduzir sua dependência da China, maior produtora mundial desses minerais essenciais para a fabricação de smartphones, televisores, câmeras digitais e sistemas de LED. O Brasil, por sua vez, possui a segunda maior reserva mundial desses recursos — um trunfo que Lula levou à mesa de negociações com peso considerável.
Além do tratado principal, Brasil e Índia firmaram outros nove acordos nas áreas de transformação digital e ampliação do acesso a medicamentos. Lula destacou o alcance histórico da parceria: "Ampliar os investimentos e a cooperação em matéria de energias renováveis e minerais críticos está no cerne do acordo pioneiro que assinamos hoje."
Modi, por sua vez, classificou o comércio bilateral como sinal de confiança mútua e anunciou a meta de elevar o intercâmbrio econômico para mais de US$ 20 bilhões nos próximos cinco anos. Em 2025, o comércio entre os dois países já superou R$ 78 bilhões, com destaque para exportações brasileiras de açúcar, petróleo, óleos vegetais, algodão e minério de ferro.
Após a Índia, Lula seguirá com negociações para a Coreia do Sul - Foto: Ricardo Stuckert
A agenda de Lula na Índia começou na quarta-feira (18), com uma delegação de mais de dez ministros e representantes do setor empresarial. Na quinta-feira (19), o presidente defendeu a criação de uma governança multilateral global para regular a inteligência artificial. Após a Índia, Lula seguirá para a Coreia do Sul, onde participará de fórum empresarial e se reunirá com o presidente Lee Jae-myung.
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