O deputado estadual Kléber Cristian Escolano de Almeida, mais conhecido como Binho Galinha (PRD), foi preso nesta sexta-feira (3), após se entregar ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) em Feira de Santana, segunda maior cidade do estado; o parlamentar é suspeito de comandar uma milícia responsável por lavagem de dinheiro há mais de dez anos.
A prisão ocorre dois dias após a deflagração da “Operação Anômico”, que investigou o grupo e resultou na detenção de esposa, filho e outros sete suspeitos; segundo o MP-BA, Binho Galinha era considerado foragido desde quarta-feira (1º), quando a operação mobilizou mais de 100 policiais, 11 auditores-fiscais e três analistas tributários da Receita Federal.
Após a prisão preventiva, o deputado foi escoltado por 20 agentes do Gaeco e promotores até Salvador, onde ficará custodiado em uma Sala de Estado-Maior; em nota, Binho Galinha afirmou que tem colaborado com as autoridades e confia na Justiça, destacando que todos os fatos serão esclarecidos ao longo do processo.
A decisão judicial que determinou a prisão seguiu entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que definiu que o foro privilegiado se aplica apenas a crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados à função parlamentar; a maioria das investigações contra Binho Galinha envolve ilícitos anteriores ao mandato ou sem relação com ele.
Histórico do parlamentar: O deputado está em seu primeiro mandato e é proprietário da loja de autopeças Tend Tudo, em Feira de Santana; em 2011, antes de assumir o cargo, Binho Galinha já havia sido preso em operação contra roubo de veículos.
Dezembro de 2023: a Operação El Patrón bloqueou R$ 200 milhões em contas de investigados, prendeu seis pessoas, incluindo a esposa e o filho do deputado; a ação revelou movimentações financeiras suspeitas envolvendo vendas de peças de carro sem comprovação.
Julho de 2025: o STJ concedeu prisão domiciliar à esposa e habeas corpus ao filho de Binho Galinha.
Junho de 2025: o STJ anulou efeitos da operação devido a falhas na investigação, principalmente sobre a obtenção de relatórios sigilosos do Coaf sem autorização judicial; posteriormente, o STF reverteu a decisão, permitindo a continuidade da operação.
Setembro de 2025: audiências da Operação El Patrón ocorreram em Feira de Santana, com ampla participação da defesa e testemunhas.
Outubro de 2025: a Operação Anômico desmembrou a investigação, resultando em novas prisões, bloqueio de R$ 9 milhões e apreensão de bens, incluindo um carro blindado com giroflex e comunicação por satélite, possivelmente usado pelo deputado; a investigação continua, com possibilidade de penas somadas superiores a 50 anos.
Resposta da Assembleia Legislativa: Em nota, a presidente da ALBA, deputada Ivana Bastos (PSD), afirmou que, assim que a Casa for oficialmente notificada, serão adotadas medidas internas cabíveis, acionando o Conselho de Ética para análise do caso.
A defesa de Binho Galinha contestou a prisão e alegou que o parlamentar jamais esteve foragido, comparecendo voluntariamente ao fórum e colaborando com a Justiça; a defesa também apontou excessos durante a operação, incluindo divulgação de vídeos e uso de algemas, e reiterou a inocência do deputado e familiares, afirmando que as acusações se baseiam em fragilidade probatória.
Redação Rádio Vida, Com informações do g1 Feira de Santana e região
Nosso Whatsapp (75) 9 8844-3155