O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, retirou da pauta o julgamento que estava previsto para a próxima quarta-feira (23) e que trataria da atuação de André Mendonça nas apurações relacionadas ao Banco Master. A decisão foi comunicada nesta quinta-feira (17) e não estabelece uma nova data para a análise.
A retirada do processo ocorre em meio a uma sequência de discussões dentro da Corte sobre a condução das investigações envolvendo Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes. O plenário ainda precisa concluir uma questão de ordem considerada diretamente relacionada ao caso, o que levou Fachin a adiar a apreciação.
Questão de ordem interfere no calendário
Na sessão realizada na terça-feira (15), os ministros discutiram como deveriam tramitar os procedimentos ligados às investigações que envolvem os dois magistrados. Entre os pontos levantados está a possibilidade de os processos serem analisados conjuntamente ou permanecerem separados.
Também há questionamentos sobre a regularidade da relatoria dos procedimentos. A discussão foi interrompida após um pedido de vista apresentado pelo ministro Flávio Dino, que solicitou mais tempo para examinar a matéria.
Como essa questão ainda não foi concluída, Fachin entendeu que seria necessário aguardar sua definição antes de levar adiante o julgamento relacionado à atuação de Mendonça.
Despacho não prevê nova data
Ao justificar a mudança, o presidente do STF afirmou que os pontos ainda pendentes têm relação direta com a análise do processo. Segundo o despacho, a discussão inclui dúvidas sobre a própria relatoria, o que pode influenciar a forma como o caso será apreciado.
A decisão, portanto, não representa um julgamento sobre o mérito das acusações ou sobre a responsabilidade de André Mendonça. O que houve foi uma alteração no cronograma para que questões processuais sejam resolvidas previamente.
Até o momento, não foi divulgada uma nova data para a retomada da análise.
Entenda a origem do caso
O procedimento relacionado a André Mendonça surgiu no contexto das apurações sobre o Banco Master. Conforme reportagens da Agência Estado e do Poder360, o ministro Alexandre de Moraes apresentou questionamentos sobre a atuação de Mendonça na condução de investigações relacionadas ao caso.
Entre os pontos atribuídos ao pedido estão alegações de abuso de autoridade e possível falta de imparcialidade. Essas são acusações apresentadas no âmbito do procedimento e ainda dependem da análise do Supremo.
O caso também se conecta a outra frente de apuração, envolvendo mensagens e contatos atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes. A relação entre os processos é justamente um dos temas que o plenário debate.
Clima de tensão no Supremo
O adiamento ocorre dois dias depois de uma sessão marcada por discussões entre ministros do STF. Na ocasião, o plenário analisou questões relacionadas às investigações envolvendo Moraes e Mendonça, mas não chegou a uma conclusão definitiva sobre todos os pontos.
Nesta quinta-feira, Fachin também cancelou uma sessão extraordinária que estava prevista para o mesmo dia. A medida foi anunciada após novos atritos públicos entre os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça.
A sequência de adiamentos e discussões processuais mantém em evidência as divergências internas da Corte, especialmente em torno da condução e da relatoria dos procedimentos relacionados ao Banco Master.
Próximos passos
Com a retirada da pauta, o STF deverá primeiro avançar na análise da questão de ordem apresentada durante a sessão de terça-feira. A definição poderá esclarecer se os processos envolvendo Moraes e Mendonça serão examinados em conjunto ou separadamente, além de tratar dos questionamentos sobre a relatoria.
Somente após o encaminhamento dessas questões o julgamento sobre a atuação de André Mendonça deverá ser novamente incluído no calendário do plenário.
“Fachin retira de pauta julgamento sobre atuação de André Mendonça previsto para 23 de setembro”, publicada em 17 de setembro de 2026.
“Considerando a direta relação dos pontos contidos na Questão de Ordem referida acima com a apreciação destes autos, abrangendo questionamento sobre a regularidade da própria relatoria, a inclusão em pauta será oportunamente redesignada.”
Fonte: Bahia Notícias
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