O repórter Marcelo Castro, que atualmente atua no site Alô Juca e na TV Aratu (afiliada do SBT na Bahia), tentou impedir na Justiça a veiculação de uma reportagem da Record prevista para ir ao ar neste fim de semana, no programa Domingo Espetacular. O pedido de liminar, no entanto, foi negado pelo juiz João Garcia Perez Garcia, da 4ª Vara Cível de Salvador, na noite de sexta-feira (15).
Nos documentos apresentados, Castro alegou que a reportagem teria como objetivo “prejudicar sua imagem pública, tendo em vista ser um grande âncora jornalístico, líder de audiência em seu horário”. A defesa sustentou ainda que a emissora buscaria “macular a opinião pública” às vésperas da audiência de instrução do processo, marcada para este mês.
Segundo os advogados, a exibição da matéria poderia causar “abalo imediato e irreversível à imagem e à reputação profissional” do jornalista.
O magistrado rejeitou o pedido, afirmando que não havia elementos que comprovassem caráter “sensacionalista” na reportagem. Para o juiz, o caso é de interesse público e não há justificativa para censura prévia.
“A alegação de que a reportagem viola o segredo de justiça de um processo criminal, por si só, não autoriza a proibição de sua divulgação. É necessário ponderar o interesse público na informação e a proteção da honra”, destacou Garcia em sua decisão.
A reportagem da Record promete trazer entrevistas com vítimas que teriam sido prejudicadas pelo suposto esquema, sendo a primeira vez que elas falam publicamente sobre o assunto.
Marcelo Castro é réu na Justiça da Bahia, acusado de liderar uma organização criminosa que teria desviado mais de R$ 500 mil em doações feitas por Pix para pessoas de baixa renda atendidas pelo programa Balanço Geral Bahia, exibido pela própria Record, entre 2022 e 2023.
O caso veio à tona em março de 2023, após o jogador Anderson Talisca doar R$ 70 mil para o tratamento de um bebê de 1 ano com câncer. Um assessor do atleta percebeu que a chave Pix informada não correspondia à exibida na televisão. A criança morreu semanas depois.
Após a descoberta, Castro e Oliveira foram demitidos pela Record. Ambos negam envolvimento no esquema. Posteriormente, criaram o site Alô Juca, que ganhou popularidade nas redes sociais, e foram contratados pela TV Aratu. Em março deste ano, Castro foi condenado em primeira instância a indenizar a Record em R$ 10 mil, por danos à imagem da emissora.
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