A Polícia Federal (PF), em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou nesta terça-feira (25) a Operação Gênesis, com o objetivo de investigar um esquema de corrupção envolvendo contratos de fornecimento de materiais de construção firmados pela Prefeitura de Itacaré, no sul da Bahia.
As apurações indicam a prática de fraude em licitação, peculato, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro, em um esquema que teria funcionado entre 2018 e 2024.
| Ano | Evento principal | Detalhes |
|---|---|---|
| 2018 | Início das contratações suspeitas | Empresas de fachada, registradas em nome de laranjas, começam a vencer licitações da Prefeitura de Itacaré. |
| 2019-2020 | Expansão dos contratos | Valores aumentam significativamente; empresas sem capacidade operacional recebem contratos milionários. |
| 2021 | Consolidação do esquema | Recursos públicos são desviados sistematicamente; indícios de repasse a agentes públicos municipais. |
| 2022 | Intensificação das irregularidades | Contratos chegam a cifras elevadas, ultrapassando R$ 20 milhões; sobrepreço e direcionamento ficam mais evidentes. |
| 2023 | Alerta de órgãos de controle | Auditorias preliminares da CGU identificam inconsistências e indícios de fraude. |
| 2024 | Deflagração da Operação Gênesis | PF e CGU confirmam que mais de R$ 30 milhões foram movimentados pelas empresas investigadas. |
Segundo as investigações, duas empresas locais, registradas em nome de interpostas pessoas (laranjas) e sem capacidade operacional compatível, receberam mais de R$ 30 milhões em contratos públicos durante o período.
Evidências coletadas apontam que parte significativa desses recursos foi desviada para agentes públicos municipais e para empresas ou pessoas ligadas ao grupo investigado.
A Justiça Federal autorizou o cumprimento de 30 mandados de busca e apreensão em diferentes municípios baianos — Itabuna, Ilhéus, Itajuípe, Ubaitaba, Jequié e Itacaré — além de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo.
Também foi determinado o afastamento cautelar de sete agentes públicos e o sequestro de bens até o montante de R$ 20 milhões, medida que busca assegurar o ressarcimento do prejuízo causado ao erário.
As ações desta terça-feira mobilizaram equipes da PF e da CGU em cidades estratégicas da Bahia e do Espírito Santo, onde foram recolhidos documentos, equipamentos e outros materiais que podem comprovar a participação dos investigados no esquema.
Os envolvidos poderão responder por fraude em licitação, peculato, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro, sem prejuízo da apuração de outros delitos que possam ser identificados ao longo das investigações.
De acordo com a PF, o objetivo agora é aprofundar a análise das provas e garantir que os recursos desviados sejam recuperados. A operação também deve ter reflexos políticos e administrativos na região, já que envolve diretamente a gestão municipal de Itacaré.
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