A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (3) a operação Blue Hope, cumprindo cinco mandados de busca e apreensão em Curaçá (BA) e em Brasília (DF). A ação faz parte das investigações sobre o circovírus, patógeno grave e potencialmente letal que atingiu ararinhas-azuis reintroduzidas na natureza no norte da Bahia.
Durante a operação, a PF apreendeu aves e dispositivos eletrônicos nos imóveis vistoriados. Em nota, o órgão informou que o criadouro investigado teria descumprido medidas emergenciais determinadas pelo ICMBio, como isolamento sanitário, testagem seriada e recolhimento das aves em vida livre.
Os investigados poderão responder por crimes de:
As penas somadas podem chegar a oito anos de prisão, além de sanções administrativas.
Após a detecção inicial do vírus em maio, o ICMBio instaurou o Sistema de Comando de Incidente para conter a disseminação. Em vistorias realizadas com apoio do Inema e da PF, foram constatadas falhas nos protocolos de biossegurança do criadouro.
Entre os problemas apontados estavam:
Como resultado, o criadouro foi multado em aproximadamente R$ 1,8 milhão.
Em nota, o Criadouro Ararinha Azul rejeitou as acusações de negligência e afirmou seguir protocolos rígidos de biossegurança. A instituição destacou que mantém 103 ararinhas-azuis, das quais 98 estão livres do vírus.
A direção ressaltou ainda que o espaço é mantido com capital estrangeiro e conta com profissionais especializados, incluindo veterinários e consultores internacionais. O criadouro questiona os laudos que embasaram a multa e afirma que pediu acesso ao processo para reavaliar os exames em conjunto com autoridades e laboratórios.
Segundo o criadouro, há divergência entre metodologias laboratoriais:
As aves infectadas estão isoladas e recebem cuidados específicos.
? O caso expõe uma disputa entre órgãos ambientais e a instituição privada responsável pela conservação da espécie, considerada símbolo da biodiversidade brasileira. A investigação da PF busca esclarecer se houve negligência no manejo e se o surto pode comprometer os esforços de reintrodução da ararinha-azul na Caatinga.
Com informações do G1
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