Apontado como um dos principais envolvidos no assassinato de três funcionários de uma empresa de internet em Salvador, Jeferson Caíque Nunes dos Santos, conhecido como “Badalo”, havia deixado o sistema prisional cerca de dois meses antes do crime. A informação foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) após a morte do suspeito em confronto com policiais civis, na manhã deste domingo (21).
Segundo a SSP-BA, Jeferson Caíque era integrante da facção criminosa Bonde do Maluco (BDM) e possuía antecedentes por crimes graves, como roubo a banco com uso de explosivos e tráfico de drogas. Ele estava custodiado no Complexo Penitenciário de Mata Escura, em Salvador, e obteve liberdade por meio de livramento condicional em outubro deste ano.
As investigações apontam Jeferson como um dos autores da execução de Ricardo Antônio da Silva Souza, de 44 anos, Jackson Santos Macedo, de 41, e Patrick Vinícius dos Santos Horta, de 28. Os corpos dos três trabalhadores foram encontrados na última terça-feira (16), no bairro Alto do Cabrito, no subúrbio ferroviário da capital baiana, com marcas de tiros e sinais de violência, incluindo mãos e pés amarrados.
Durante a apuração, a Polícia Civil informou que um celular pertencente a uma das vítimas foi localizado em posse de Jeferson Caíque, reforçando a suspeita de participação direta no triplo homicídio.
As mortes e prisões de outros suspeitos ocorreram no âmbito da Operação Signum Fractum, deflagrada pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A ofensiva policial foi realizada simultaneamente em quatro bairros de Salvador: Marechal Rondon, São Marcos, Campinas de Pirajá e Massaranduba.
Além das prisões, a operação também cumpriu mandados de busca e apreensão. Em Campinas de Pirajá, na localidade conhecida como “Osório”, os policiais desarticularam um ponto de venda de drogas que, de acordo com as investigações, era utilizado por um grupo criminoso envolvido tanto com o tráfico quanto com homicídios. No imóvel, foram apreendidas porções de maconha, balanças de precisão e materiais usados para embalar entorpecentes.
Conforme a Polícia Civil, a principal linha de investigação aponta que o crime teria sido motivado por retaliação de uma facção criminosa com atuação no bairro de Marechal Rondon. A suspeita é de que os técnicos estariam instalando equipamentos que poderiam funcionar como câmeras de vigilância na região, o que teria despertado a reação dos criminosos.
Inicialmente, também foi considerada a hipótese de que os trabalhadores teriam sido mortos por conta da recusa da empresa em pagar uma espécie de “pedágio” exigido por traficantes para atuar na área. No entanto, a Planet Internet, empresa para a qual as vítimas prestavam serviço, negou qualquer tipo de ameaça ou cobrança.
No dia do crime, Ricardo Antônio, Jackson Macedo e Patrick Vinícius usavam o fardamento da empresa e se preparavam para realizar um serviço no bairro de Marechal Rondon quando foram rendidos e assassinados.
A Operação Signum Fractum contou com a atuação integrada de equipes do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic) e da Coordenação de Operações e Recursos Especiais (Core). Ao todo, mais de 50 policiais participaram das ações.
Mesmo após a operação, as forças de segurança informaram que o policiamento ostensivo e as ações de inteligência seguem reforçadas por tempo indeterminado na região de Marechal Rondon, considerada área sensível devido à atuação de facções criminosas.
Vítimas eram trabalhadores e pais de família
Jackson, Ricardo e Patrick foram mortos em Salvador / Foto / Reprodução / Redes Sociais
Patrick Vinícius dos Santos Horta, de 28 anos, estava apenas no segundo dia de trabalho quando foi morto. Morador do bairro de Castelo Branco, ele era pai de um menino de 7 anos, lutador de jiu-jítsu e havia ficado desempregado por cerca de seis meses antes de conseguir a vaga na empresa de internet. O sepultamento ocorreu na quinta-feira (18), no Cemitério Vale da Saudade, em Candeias, na Região Metropolitana de Salvador.
“Patrick foi mais um jovem negro que teve a vida interrompida pela violência. Era trabalhador, batalhador e muito querido pela família”, lamentou o primo Vinícius Simões.
Ricardo Antônio da Silva Souza morava na região da Rótula do Abacaxi, era casado havia 27 anos e deixou uma filha de 14 anos. Funcionário da Planet Internet há três anos, ele atuava como motorista e instalador. O sepultamento dele ocorreu na quarta-feira (17), no Cemitério Bosque da Paz.
“Ricardo vivia para trabalhar. Era um homem bom, marido dedicado e sempre disposto a ajudar”, disse a esposa, Sônia Regina, emocionada.
Jackson Santos Macedo, de 41 anos, morava no bairro do Lobato, era casado e tinha um filho de 19 anos. No dia do crime, ele utilizou o próprio carro para chegar mais cedo ao trabalho. O veículo foi levado pelos criminosos e localizado dias depois, na sexta-feira (19), no bairro de Pirajá, passando por perícia. O enterro também aconteceu no Cemitério Bosque da Paz.
Investigação segue sob sigilo
Na quarta-feira (17), o secretário de Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner, afirmou que a elucidação do caso é tratada como prioridade pelo governo do estado. Segundo ele, todas as linhas de investigação estão sendo analisadas.
A delegada Lígia Nunes de Sá, diretora do DHPP, reforçou que não há qualquer registro criminal contra as vítimas, conforme já havia sido relatado pelos familiares. Ela destacou ainda que as investigações seguem sob sigilo e pediu o apoio da população.
“Qualquer informação que possa contribuir para esclarecer esse crime pode ser repassada de forma anônima pelo Disque Denúncia, no número 181”, orientou a delegada.
A Polícia Civil segue apurando o caso para identificar e responsabilizar todos os envolvidos no assassinato dos três trabalhadores.
Fonte: g1 BA e TV Bahia
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