Em uma reviravolta de tirar o fôlego, o vereador Valney de Jenipapo anunciou na última quarta-feira (30) que vai “dar um basta” na grave acusação de assédio que havia feito contra o presidente da Câmara Municipal de Ubaíra, Toinho do Ônibus. O anúncio, feito em vídeo gravado dentro de um carro, deixou aliados e opositores boquiabertos e reacendeu o clima de mistério sobre um possível acordo nos bastidores.
No vídeo, com voz embargada e visivelmente abatido, Valney explicou que enfrenta problemas de saúde e que sua decisão foi motivada por apelos insistentes de amigos, familiares e, sobretudo, de sua mãe. “Pelo momento difícil que estou passando, pela minha saúde, pelo pedido da minha família, decidi dar um basta nessa situação. Sei que muita gente vai me julgar, outros vão dizer que foi um acordo… Mas o importante é que tenho minha consciência limpa diante de Deus”, declarou o vereador, entre agradecimentos emocionados aos colegas e à população.
Mal a notícia se espalhou e Toinho tratou de responder publicamente. Em mensagem gravada, o presidente da Câmara pediu desculpas a Valney, à filha dele, Taise Vitória, e a toda a família do colega. “Houve um mal-entendido e responderei todos os atos na Justiça”, prometeu Toinho, afirmando que quer restabelecer sua honra e provar sua inocência pelos meios legais.
O episódio original, ocorrido no dia 12 de junho, chocou Ubaíra: durante sessão plenária, Valney acusou o então presidente Toinho de ter se aproveitado da vulnerabilidade de sua filha menor de idade e de ter tentado se aproximar dela dias depois, fato impedido pelo marido da vítima. A denúncia desencadeou comoção na cidade, levou Valney a cobrar a instalação de uma comissão de ética e até a convocar uma manifestação em frente ao Legislativo, sob o grito de “justiça para Taise”.
Na ocasião, Toinho classificou a acusação como caluniosa e anunciou que moveria ação judicial para limpar seu nome. Agora, com a denúncia suspensa, cresce a suspeita de que um acordo informal — nem tão informal — tenha sido costurado para enterrar o escândalo. Críticos questionam se o recuo de Valney tem mesmo a ver só com saúde ou se a pressão política e a promessa de “acertos” operaram nos bastidores.
O clima político em Ubaíra segue tenso. A população exige transparência: querem saber que tipo de entendimento foi fechado e se o Legislativo terá coragem de reabrir apurações formais. A pergunta que fica no ar é simples e cruel: o escândalo morreu ou apenas trocou de nome?
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