As sucessivas mudanças na versão apresentada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre a violação de sua tornozeleira eletrônica têm dificultado sua defesa, segundo avaliação de investigadores ouvidos pelo blog. Até o momento, três justificativas distintas foram registradas oficialmente: um acidente doméstico, um ato de curiosidade e um episódio de surto provocado por medicamentos.
O alerta de violação do dispositivo foi emitido às 0h07 do dia 22 de novembro pelo Centro Integrado de Monitoração Eletrônica (CIME), órgão do governo do Distrito Federal responsável pelo monitoramento remoto do equipamento. Imediatamente, a equipe de escolta e a diretora do CIME, Rita Gaio, foram acionadas e chegaram à residência de Bolsonaro em menos de dez minutos.
Na ocasião, segundo relatório do CIME, Bolsonaro afirmou que havia batido a tornozeleira na escada, o que teria causado o dano.
Pouco tempo depois, entre 0h40 e 0h50, o ex-presidente mudou sua versão. Em conversa gravada por Rita Gaio, Bolsonaro admitiu ter usado um ferro de solda para tentar abrir o dispositivo. Questionado pela diretora, ele respondeu:
“Meti um ferro quente aqui.”
“Curiosidade”, justificou.
Bolsonaro negou ter rompido a pulseira da tornozeleira, afirmando que apenas mexeu na parte externa do equipamento. Segundo ele, a ação teria ocorrido no final da tarde do dia anterior.
Durante a audiência de custódia realizada no domingo (23), já acompanhado por advogado, Bolsonaro apresentou uma nova explicação. Alegou que estava em estado de paranoia e alucinação, provocados pelo uso de medicamentos como pregabalina e sertralina — substâncias comumente prescritas para ansiedade e depressão.
O ex-presidente relatou que sofre com insônia e que, por ter formação em operação de equipamentos eletrônicos, decidiu mexer na tornozeleira com um ferro de soldar.
As versões conflitantes preocupam os investigadores e podem comprometer a linha de defesa do ex-presidente. A inconsistência nos relatos levanta dúvidas sobre a real motivação da tentativa de violação do equipamento e pode ser usada como argumento pela acusação.
Bolsonaro cumpre prisão preventiva na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. No domingo, foi visto no local ao se despedir da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que o visitou.
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