O senador Ângelo Coronel anunciou sua saída do PSD e confirmou que será candidato à reeleição ao Senado Federal em 2026, agora integrando o campo de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT). A decisão foi revelada em entrevista ao Broadcast Político e marca um rompimento definitivo com o grupo político que governa a Bahia há quase duas décadas.
A movimentação de Coronel encerra um impasse que se arrastava nos bastidores da política baiana, onde três pré-candidatos disputavam apenas duas vagas ao Senado dentro do bloco governista. Com o PT decidido a lançar uma chapa própria, formada pelos nomes de Jaques Wagner e Rui Costa, aliados históricos acabaram perdendo espaço na composição eleitoral.
Durante a entrevista, Ângelo Coronel afirmou que sua permanência no PSD se tornou inviável diante das pressões internas. Segundo o senador, houve um processo de desgaste que culminou em sua saída da legenda. Ele declarou ter sido “defenestrado” politicamente e afirmou que o presidente estadual do partido, senador Otto Alencar, avaliava como “insustentável” a continuidade de sua filiação. A reportagem tentou contato com Otto Alencar, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
Ao explicar a decisão de migrar para a oposição, Coronel destacou o tratamento recebido por parte do grupo governista durante a crise. “Se o próprio governo não me quis, por que vou querer votos?”, afirmou, sinalizando mágoa com o processo de exclusão política dentro da base aliada.
Sobre o futuro partidário, o senador indicou que o destino mais provável é o União Brasil, legenda que faz oposição ao governo federal e ao governo estadual na Bahia e que tem como principal liderança o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, pré-candidato ao governo do Estado em 2026. Coronel informou que aguarda uma conversa com ACM Neto e consultas a aliados próximos antes de oficializar sua filiação.
Além do União Brasil, o senador confirmou que também mantém diálogo com outras siglas do campo oposicionista, como PSDB, Democracia Cristã (DC) e PRD, avaliando qual delas oferece melhores condições políticas e estruturais para sua campanha à reeleição.
Eleito senador em 2018 pela aliança entre PT e PSD, construída em torno da candidatura de Rui Costa ao governo da Bahia, Ângelo Coronel foi um dos pilares da base governista no Estado. A ruptura atual evidencia a reconfiguração do cenário político baiano e o enfraquecimento da antiga coalizão que sustentou sucessivas vitórias eleitorais do grupo petista.
Com a saída de Coronel, o PT passa a buscar alternativas para manter a aliança com o PSD na Bahia, enquanto a oposição se fortalece com a possível chegada de um senador com mandato e capilaridade política. O movimento antecipa o clima de disputa e confirma que o tabuleiro eleitoral de 2026 já está em plena reorganização.
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