O senador Otto Alencar (PSD), presidente estadual do Partido Social Democrático na Bahia, afirmou estar vivendo um dos momentos mais delicados de sua trajetória política após a confirmação da saída do senador Angelo Coronel da legenda. A declaração foi feita neste domingo (1º), durante entrevista ao programa Frequência News, da rádio Boa FM (96.1), em Itabuna, no sul do estado.
Visivelmente abatido, Otto classificou a situação como “dolorosa”, destacando o vínculo pessoal e político construído ao longo dos anos com Coronel. Os dois, inclusive, mantêm uma relação familiar próxima: Diego Coronel, filho do senador, é afilhado de Otto Alencar.
“Eu respeito muito o senador Coronel. É muito doloroso para mim estar vivendo uma situação dessa com um amigo meu”, declarou.
A crise interna ganhou força após Angelo Coronel tornar públicas críticas ao comando do partido na Bahia, alegando ter sido “marginalizado” nas discussões estratégicas sobre o futuro eleitoral do PSD. Apesar disso, Otto fez questão de frisar que jamais tomou qualquer iniciativa para afastar o colega da legenda.
“Eu nunca tomei iniciativa de tirar do partido ou de defenestrar o senador Coronel”, enfatizou.
Divergências ideológicas e caminhos distintos no Senado
Durante a entrevista, Otto Alencar contextualizou o desgaste na relação política a partir das diferenças ideológicas e de posicionamento no Congresso Nacional. Segundo ele, desde que foi eleito senador, adotou uma postura clara de alinhamento ao campo progressista e ao projeto liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Fui oposição a Michel Temer, fui oposição a Bolsonaro e sigo aliado ao presidente Lula. Já o senador Coronel sempre teve uma posição mais à direita, apoiou o governo Bolsonaro e é crítico do governo Lula. Isso, naturalmente, cria dificuldades”, explicou.
De acordo com Otto, essas divergências se refletiram também nas articulações partidárias, especialmente diante do cenário eleitoral que começa a ser desenhado para 2026.
Disputa sobre os rumos do PSD na Bahia
Outro ponto central do conflito, segundo o dirigente, foi a tentativa de Angelo Coronel de negociar diretamente com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, uma posição de neutralidade do partido na Bahia. Essa proposta, na prática, significaria um afastamento da aliança histórica com o PT no estado.
Otto, por sua vez, afirmou ter defendido a manutenção da parceria com o grupo governista, argumentando que essa aliança atende aos interesses da maioria dos quadros do partido e amplia as chances eleitorais da legenda nas próximas eleições.
“Eu estou decidindo aquilo que a maioria quer que eu faça. Não é uma decisão pessoal. E, lamentavelmente, esses ajustes acabam acontecendo”, afirmou.
Respeito e reconhecimento, apesar da ruptura
Mesmo diante do rompimento político, Otto Alencar fez questão de ressaltar o respeito e a admiração por Angelo Coronel, elogiando sua trajetória e qualidades pessoais.
“O senador Coronel é um senador valoroso, de caráter, com personalidade e capacidade. Mas a vida política é assim: às vezes une, e às vezes, por algum motivo, separa”, concluiu.
A saída de Angelo Coronel do PSD aprofunda as movimentações no tabuleiro político baiano e pode ter impactos diretos na formação das chapas e alianças para 2026, tanto no campo governista quanto na oposição. Nos bastidores, o episódio é visto como um dos sinais mais claros de reconfiguração das forças políticas no estado nos próximos anos.
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