O governo federal manifestou forte oposição à investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos contra o Brasil e criticou duramente a atuação de integrantes da oposição que, segundo o Palácio do Planalto, estariam incentivando medidas prejudiciais à economia nacional. A reação ocorreu após a divulgação de conclusões preliminares do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que avalia a aplicação de tarifas de até 25% sobre determinados produtos brasileiros.
Em nota oficial divulgada nesta terça-feira (2), o governo classificou a apuração norte-americana como uma iniciativa sem justificativa econômica consistente e afirmou que o processo estaria ligado a tentativas de influenciar assuntos internos do país. O documento também acusa aliados da família Bolsonaro de manterem articulações junto a autoridades norte-americanas em defesa de interesses políticos particulares.
De acordo com o comunicado, a investigação teve início em julho de 2025 e ganhou repercussão após visitas realizadas por representantes da oposição brasileira a Washington. Sem poupar críticas, o Planalto afirmou que determinados agentes políticos estariam agindo contra os interesses nacionais ao buscar apoio externo para pressionar o governo brasileiro.
Pix entra no centro da discussão
Outro ponto destacado pela administração federal foi a inclusão do Pix entre os temas analisados pelas autoridades dos Estados Unidos. O governo argumenta que o sistema de pagamentos instantâneos é uma ferramenta pública administrada pelo Banco Central e que seu funcionamento segue regras que atendem igualmente instituições nacionais e estrangeiras.
Na avaliação do Planalto, não há fundamento para questionamentos relacionados ao modelo brasileiro de pagamentos digitais, considerado um dos mais modernos e eficientes do mundo.
Brasil contesta argumentos econômicos
Ao rebater as alegações de práticas comerciais consideradas desleais pelos norte-americanos, o governo apresentou dados sobre a relação econômica entre os dois países. Segundo a nota, os Estados Unidos acumulam saldo comercial positivo nas transações com o Brasil há mais de dez anos.
Os números divulgados apontam que, entre 2011 e 2025, o superávit norte-americano em bens e serviços alcançou aproximadamente US$ 424,5 bilhões. O governo também ressaltou que a maior parte dos produtos importados dos EUA entra no mercado brasileiro com isenção tarifária.
De acordo com os dados oficiais, cerca de 76% das importações provenientes dos Estados Unidos tiveram alíquota de importação zerada em 2025, enquanto a tarifa efetivamente aplicada aos produtos norte-americanos ficou em média em 3,1%.
Negociações continuam para evitar sanções
Além das questões comerciais, a investigação norte-americana também aborda temas como comércio digital, propriedade intelectual, combate à corrupção, etanol e políticas ambientais. O governo brasileiro sustenta que suas normas seguem padrões internacionais e não impõem tratamento discriminatório a empresas estrangeiras.
Apesar do tom crítico adotado na nota, o Palácio do Planalto informou que mantém diálogo diplomático com autoridades dos Estados Unidos para buscar uma solução negociada. As conversas foram intensificadas após encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump, realizado em maio, em Washington.
A expectativa do governo brasileiro é encerrar o impasse antes da conclusão definitiva da investigação, prevista para 15 de julho, evitando a imposição de novas tarifas ou outras restrições comerciais que possam afetar o fluxo de negócios entre os dois países.
Fonte: Bahia Notícias
Nosso Whatsapp (75) 9 8844-3155