As relações entre Brasil e Estados Unidos ganharam um novo elemento de desgaste nesta terça-feira (2). Durante uma audiência no Senado norte-americano, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o Brasil não faz parte do grupo de países latino-americanos considerados alinhados ou especialmente próximos aos interesses de Washington.
Ao apresentar sua avaliação sobre o cenário político do continente, Rubio afirmou que a América Latina vive um momento de aproximação com os Estados Unidos, destacando a existência de uma ampla rede de governos parceiros. No entanto, ao citar os países que não estariam nesse grupo, mencionou o Brasil ao lado de Cuba, Nicarágua, Venezuela e do atual governo colombiano.
A declaração ocorre em um período de crescente tensão entre Brasília e Washington. Nos últimos dias, os dois países passaram a divergir em temas relacionados ao comércio exterior, segurança e política internacional. Entre os episódios recentes estão a proposta norte-americana de aplicar tarifas sobre produtos brasileiros e a decisão dos EUA de classificar as facções PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.
Durante sua fala, Rubio observou que o Brasil atravessa um período eleitoral, fator citado por ele ao explicar por que o país não estaria entre os governos mais alinhados à política externa da administração norte-americana. Segundo o secretário, apesar das exceções apontadas, a maior parte das nações da região estaria atualmente mais próxima dos interesses estratégicos dos Estados Unidos.
A declaração chamou atenção por colocar o Brasil em uma lista que inclui governos frequentemente criticados por Washington. Analistas avaliam que a fala reforça a percepção de um distanciamento político entre os dois países em comparação com outros momentos da relação bilateral.
O comentário de Rubio surge poucos dias após novas discussões diplomáticas envolvendo os dois países. Além das divergências comerciais, o governo brasileiro tem reagido a medidas adotadas pela gestão do presidente Donald Trump, classificando algumas ações como interferência em assuntos internos do Brasil.
Mesmo diante das declarações e dos recentes atritos, Brasil e Estados Unidos seguem mantendo canais diplomáticos abertos. Os dois países possuem uma das mais importantes relações econômicas do continente, com forte intercâmbio comercial, cooperação em áreas estratégicas e participação conjunta em fóruns internacionais.
A fala de Marco Rubio, contudo, evidencia que o relacionamento entre Brasília e Washington atravessa um período de desafios, marcado por divergências políticas e disputas em temas considerados sensíveis para ambos os governos.
Fonte: Bahia Notícias
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