O senador Flávio Bolsonaro enviou uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, solicitando que o governo norte-americano não avance com a proposta de aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros. O documento foi encaminhado nesta terça-feira (2), em meio às discussões comerciais envolvendo os dois países.
A iniciativa ocorre após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) abrir um processo de análise que poderá resultar na imposição de uma sobretaxa de até 25% sobre determinadas importações oriundas do Brasil. A medida ainda está em fase de consultas e avaliação técnica, com prazo para conclusão previsto para julho.
No documento, redigido em inglês, Flávio Bolsonaro argumenta que uma eventual elevação das tarifas teria impactos negativos sobre a economia brasileira e poderia agravar dificuldades enfrentadas por empresas e consumidores.
O parlamentar destacou indicadores relacionados à dívida pública, ao endividamento das famílias e à situação financeira das empresas. Segundo ele, o país enfrenta desafios fiscais e econômicos que exigem cautela diante de possíveis restrições ao comércio internacional.
A carta menciona ainda o crescimento do número de brasileiros inadimplentes e o aumento dos pedidos de recuperação judicial registrados por empresas nos últimos anos, apontando que novas barreiras comerciais poderiam gerar efeitos adicionais sobre a atividade econômica.
Outro ponto abordado por Flávio Bolsonaro foi a decisão das autoridades norte-americanas de classificar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
O senador elogiou a iniciativa e afirmou que as duas facções possuem atuação além das fronteiras brasileiras, envolvendo atividades ligadas ao tráfico de drogas, armas e movimentação financeira ilícita. Segundo ele, a medida representa um avanço no combate ao crime organizado transnacional.
Ao longo do texto, Flávio Bolsonaro reforça a importância da relação entre Brasil e Estados Unidos e defende uma ampliação da cooperação econômica entre os dois países.
O parlamentar afirmou acreditar na construção de uma parceria baseada em livre comércio, investimentos e fortalecimento das relações bilaterais. Na correspondência, também declarou confiança em uma futura candidatura presidencial e sinalizou disposição para discutir acordos econômicos mais amplos entre as duas nações.
Nos bastidores políticos, a movimentação é vista como uma tentativa de evitar o avanço das medidas comerciais em estudo pelo governo norte-americano. A possível aplicação de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros tem provocado reações de diferentes setores políticos e econômicos, que acompanham as negociações entre Brasília e Washington.
Enquanto o processo conduzido pelo USTR segue em fase de análise, representantes dos dois países mantêm diálogo para tentar evitar restrições que possam afetar o fluxo comercial entre as duas maiores economias do continente.
Confira a carta na integras.
"Prezado Secretário Rubio,
Escrevo, antes de tudo, para agradecer a cordialidade com que fui recebido durante minha recente visita a Washington. Nossa conversa reforçou minha convicção de que a amizade entre nossas duas nações se baseia em valores compartilhados e em uma visão comum para a segurança e a prosperidade do Hemisfério Ocidental.
Sou especialmente grato por sua decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Essas duas facções estão entre os empreendimentos criminosos mais violentos do Brasil, e suas redes de drogas, armas e dinheiro se estendem muito além de nossas fronteiras - alcançando também o seu país. A esmagadora maioria do povo brasileiro celebrou essa medida, ainda que ela não tenha agradado ao nosso governo atual. Trata-se de um passo decisivo para proteger os cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado.
Escrevo também, contudo, para manifestar minha preocupação com a recente determinação da Seção 301 anunciada pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos. Embora eu compreenda que nenhuma tarifa tenha sido imposta até o momento - a determinação apenas inicia um processo de consulta pública e etapas técnicas que culminarão em um prazo legal em julho - considero meu dever compartilhar com o senhor as reais condições econômicas enfrentadas pelo povo brasileiro neste momento.
O Brasil vive um grave processo de deterioração fiscal e econômica. Nossa dívida bruta do governo geral ultrapassou agora 80% do PIB pela primeira vez desde a pandemia, alcançando R$ 10,4 trilhões em abril - e as projeções de mercado apontam para um recorde de 83,7% até o fim do ano. Os contas públicas continuam registrando déficit primário, enquanto os pagamentos de juros da dívida atingiram níveis recordes.
O peso sobre as famílias comuns é ainda mais alarmante: um recorde de 81,7 milhões de brasileiros está atualmente inadimplente - quase metade da população adulta -, com os compromissos financeiros consumindo uma parcela sem precedentes da renda familiar. No setor empresarial, as recuperações judiciais - equivalentes brasileiras ao Chapter 11 dos Estados Unidos - dispararam para um recorde histórico de 2.466 empresas em 2025, enquanto 8,7 milhões de contribuintes empresariais estavam inadimplentes no início de 2026. Cada um desses números representa um recorde histórico.
Nesse contexto, a imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro - justamente os cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e amigo. Por isso, escrevo para reiterar formalmente o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil.
Como já afirmei, estou confiante de que serei eleito Presidente do Brasil neste mês de outubro. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar minha equipe de transição imediatamente à sua disposição, para que possamos concluir, o mais rapidamente possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéfico para ambas as nossas nações - construído sobre os princípios dos mercados livres, do respeito mútuo e da aliança estratégica que nossos povos merecem.
Permaneço inteiramente à sua disposição e espero aprofundar ainda mais a amizade entre o Brasil e os Estados Unidos.
Que Deus abençoe os Estados Unidos, e que Deus abençoe o Brasil.
Respeitosamente, Flávio Bolsonaro", termina a carta.
Fonte: Bahia Notícias
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