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Governador Jerônimo Rodrigues é alvo de vaias e protestos durante desfile do 2 de Julho em Salvador

Governador enfrentou manifestações durante o cortejo da Independência da Bahia; episódio reforça clima de polarização política às vésperas da disputa eleitoral de 2026

Publicada em 02/07/2026 às 17:58h - Redação Rádio Vida


Governador Jerônimo Rodrigues é alvo de vaias e protestos durante desfile do 2 de Julho em Salvador
 (Foto: Reprodução / Montagem Rádio Vida )



As comemorações pelos 203 anos da Independência da Bahia, realizadas nesta quarta-feira (2), em Salvador, foram marcadas por manifestações políticas envolvendo o governador Jerônimo Rodrigues (PT). Durante o tradicional cortejo cívico, o chefe do Executivo baiano foi recebido com vaias em diferentes trechos do percurso e também protagonizou um momento de tensão com uma mulher que se aproximou enquanto ele caminhava entre o público.

Vídeos compartilhados nas redes sociais registraram o instante em que a mulher coloca a mão sobre o ombro do governador e, segurando um microfone, afirma: "Seu sorriso vai acabar. Em outubro, você vai vazar, governador." Diante da abordagem, Jerônimo afasta a mão da manifestante e segue caminhando acompanhado por assessores, apoiadores e agentes de segurança. Logo após a reação do governador, a mulher questiona: "Vai me machucar é?". A situação ocorreu em meio à multidão que acompanhava o desfile.

Além desse episódio, outras gravações mostram o governador sendo alvo de vaias ao longo do cortejo. Em alguns pontos da celebração, participantes também exibiram cartazes com críticas direcionadas à administração estadual, evidenciando o clima de polarização política durante um dos eventos cívicos mais tradicionais da Bahia.

O desfile do 2 de Julho, considerado uma das principais datas históricas do estado, costuma reunir milhares de pessoas, representantes de movimentos sociais, lideranças políticas e autoridades. Por sua importância simbólica, a cerimônia também é vista como uma vitrine para demonstrações de apoio e insatisfação popular.

Polarização marcou o cortejo

O evento também contou com a presença do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), apontado como principal adversário político de Jerônimo Rodrigues na disputa pelo Governo da Bahia nas eleições de 2026. Assim como o atual governador, ACM Neto também foi alvo de vaias durante sua participação no desfile.

Questionado sobre as manifestações, o ex-prefeito afirmou que esse tipo de reação faz parte do ambiente democrático. Segundo ele, aplausos e críticas são naturais em eventos públicos e fazem parte da convivência política.

Cenário político

As manifestações ocorreram em um momento de forte movimentação política no estado. A Bahia é governada pelo Partido dos Trabalhadores desde 2007 e permanece como um dos principais redutos eleitorais da legenda. Nas eleições de 2022, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistou mais de 72% dos votos válidos no estado, enquanto Jerônimo Rodrigues foi eleito governador ainda no primeiro turno, com 52,79% dos votos.

Os protestos registrados durante o desfile repercutiram nas redes sociais e ampliaram o debate sobre o cenário político baiano às vésperas da disputa eleitoral de 2026.

Ausência de Lula chamou atenção

Outro fato que movimentou os bastidores políticos foi a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas celebrações do 2 de Julho em Salvador. Desde a campanha presidencial de 2022, Lula vinha participando das comemorações da Independência da Bahia, transformando o evento em uma importante agenda política.

Neste ano, no entanto, o presidente não acompanhou o cortejo na capital baiana e concentrou compromissos oficiais no interior do estado no dia anterior às celebrações.

De acordo com informações divulgadas pela revista Veja, integrantes do Partido dos Trabalhadores afirmaram que a mudança na agenda ocorre em meio às estratégias da pré-campanha presidencial de 2026 e ao momento político envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA), citado nas investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Apesar disso, Lula participou de uma agenda ao lado de Jaques Wagner em Alagoinhas, onde voltou a se referir ao senador como "irmão". Segundo a publicação, o gesto teria provocado desconforto entre integrantes do partido envolvidos na estratégia eleitoral para os próximos anos.

As manifestações registradas durante o desfile reforçaram o ambiente de disputa política que marcou a celebração da Independência da Bahia, evento que tradicionalmente reúne grande participação popular e costuma servir de palco para demonstrações de apoio e críticas às principais lideranças do estado.




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