A TV Globo cancelou, na noite desta quinta-feira (1º de outubro), o debate entre candidatos à Presidência da República que estava programado para ocorrer na reta final do primeiro turno das eleições de 2026. O anúncio veio depois que a emissora recebeu duas determinações judiciais que modificaram regras previamente estabelecidas e alteraram a composição prevista para o encontro.
O debate seria realizado apenas três dias antes da votação do primeiro turno, marcada para domingo (4). Até poucas horas antes da transmissão, entretanto, uma série de acontecimentos modificou o cenário planejado pela emissora.
Lula já havia confirmado que não participaria
Na quarta-feira (30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comunicou à Globo que não compareceria ao debate. A decisão encerrou a participação do candidato nos confrontos televisivos previstos para o primeiro turno.
A ausência do presidente estava prevista no regulamento elaborado para o programa. A emissora havia estabelecido que, quando um candidato não comparecesse, o espaço reservado a ele permaneceria vazio e identificado com seu nome.
Também estava prevista uma dinâmica em que os candidatos presentes poderiam formular perguntas direcionadas ao concorrente ausente.
Foi justamente essa parte das regras que acabou sendo modificada por uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ministra do TSE veta representação do candidato ausente
A ministra Estela Aranha, do TSE, determinou que a Globo não exibisse o púlpito destinado a Lula como forma de representar sua ausência.
A decisão também impediu que os demais participantes utilizassem a rodada prevista no regulamento para dirigir perguntas ao candidato que não estivesse no estúdio.
Na avaliação apresentada pela ministra, o mecanismo poderia criar consequências para candidatos que decidissem não participar do debate, considerando que a participação não é obrigatória em determinadas situações previstas pela legislação eleitoral.
A medida alterou diretamente a dinâmica que havia sido planejada pela emissora para lidar com a ausência do presidente.
Flávio Bolsonaro anuncia que não compareceria
Pouco depois da decisão do TSE, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) informou que também não iria ao programa.
Em publicação nas redes sociais, o candidato relacionou sua desistência à decisão da Justiça Eleitoral e utilizou o termo “censura” para se referir às mudanças determinadas para o debate.
Com Lula e Flávio fora do encontro, a composição do programa sofreu nova alteração justamente no momento em que a emissora preparava a transmissão.
Renan Santos é incluído por decisão do STF
Outra mudança ocorreu na noite de quinta-feira. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Renan Santos, candidato do partido Missão, fosse incluído no debate.
A decisão aconteceu depois de pedidos anteriores apresentados pelo candidato e pela legenda terem sido rejeitados. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, havia negado o pedido na quarta-feira (30), enquanto a ministra Cármen Lúcia, do STF, também havia rejeitado uma solicitação para garantir a participação de Renan.
Na decisão posterior, Gilmar Mendes determinou a presença de Renan no encontro. O ministro citou princípios relacionados à liberdade de expressão e ao pluralismo político para fundamentar a medida.
A decisão ocorreu poucas horas antes do horário previsto para o debate, acrescentando mais uma mudança à organização do programa.
Zema já havia sido incluído por decisão anterior
A composição do encontro também tinha sido alterada antes dos acontecimentos de quinta-feira.
Na terça-feira (29), o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, havia determinado que Romeu Zema, do Novo, tivesse direito de participar do debate. A medida modificou a lista inicialmente definida pela emissora.
Inicialmente, a Globo havia anunciado a participação de Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury. Com a decisão envolvendo Zema, o candidato do Novo foi acrescentado ao grupo.
Posteriormente, a determinação de Gilmar Mendes acrescentou Renan Santos à formação.
Critério de participação esteve no centro da disputa
A discussão judicial também envolveu os critérios utilizados para definir quais candidatos deveriam ser convidados obrigatoriamente para debates transmitidos por rádio e televisão.
A legislação eleitoral estabelece regras relacionadas à representação dos partidos no Congresso Nacional. A Globo havia utilizado esses critérios para definir sua composição inicial e, posteriormente, precisou lidar com decisões judiciais que ampliaram o número de participantes que deveriam ser incluídos.
No caso de Renan Santos, o partido Missão não alcançava inicialmente o requisito utilizado pela emissora para o convite obrigatório. A decisão do STF, porém, determinou sua participação no programa.
Globo recebe duas notificações e cancela o encontro
A decisão definitiva de cancelar o debate foi anunciada pela Globo por volta das 20h50. Segundo a emissora, as duas notificações judiciais recebidas naquela noite alteraram regras que haviam sido previamente estabelecidas para o programa.
A empresa afirmou que as mudanças sucessivas provocaram insegurança jurídica e interferiram na organização do formato planejado.
A Globo declarou ainda que seus debates eleitorais têm como objetivo apresentar diferentes posições políticas e permitir que o público acompanhe as propostas dos candidatos.
Diante das alterações ocorridas poucas horas antes da transmissão, a emissora decidiu retirar o programa da grade.
Debate seria o último antes do primeiro turno
O encontro estava previsto para ocorrer na noite de quinta-feira, três dias antes da votação do primeiro turno. Por isso, fazia parte da programação eleitoral da reta final da campanha.
A sucessão de decisões judiciais modificou a formação inicialmente planejada, enquanto as desistências de Lula e Flávio Bolsonaro reduziram ainda mais o grupo que estaria presente no estúdio.
Após o cancelamento, a Globo informou que exibiria, no horário reservado ao debate, um capítulo inédito da novela “Quem Ama Cuida”.
“A Globo decidiu cancelar o debate desta noite.” — trecho do comunicado divulgado pela emissora após as decisões judiciais que alteraram as regras e a composição do programa.
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