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Associação e entidades de imprensa reagem ao cancelamento do debate da Globo e criticam mudanças judiciais

ABERT, ANER e ANJ afirmam que decisões tomadas às vésperas do programa modificaram regras previamente acertadas entre a emissora e os partidos

Publicada em 01/10/2026 às 23:47h - Redação Rádio Vida


Associação e entidades de imprensa reagem ao cancelamento do debate da Globo e criticam mudanças judiciais
 (Foto: Reprodução)



O cancelamento do debate presidencial que seria transmitido pela TV Globo na noite de quinta-feira (1º) provocou reação de três das principais entidades representativas do setor de comunicação no país. Em manifestação conjunta, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) criticaram as alterações determinadas pela Justiça Eleitoral e pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Na nota divulgada em Brasília, as entidades declararam apoio à emissora e afirmaram que houve uma intervenção judicial nas condições que haviam sido estabelecidas anteriormente para o encontro entre os candidatos à Presidência.

A manifestação ocorreu poucas horas depois de a Globo anunciar que não realizaria o programa. Segundo a emissora, duas notificações judiciais recebidas no mesmo dia modificaram pontos das regras previamente combinadas, o que levou à decisão de suspender a transmissão.

Decisões alteraram a organização do encontro

Uma das decisões partiu da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em processo relacionado à ausência do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A determinação impediu a emissora de utilizar o púlpito destinado a Lula como espaço vazio durante o programa e também estabeleceu restrições à possibilidade de outros candidatos direcionarem perguntas ao petista, que havia informado previamente que não participaria do debate.

Horas depois, uma segunda decisão judicial acrescentou outro elemento à organização do encontro. O ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou a inclusão de Renan Santos, candidato do Missão, entre os participantes.

A decisão ocorreu depois de uma disputa judicial sobre a presença do candidato no programa. Com isso, a composição inicialmente planejada pela emissora precisaria ser novamente modificada às vésperas da transmissão.

Zema também havia obtido decisão favorável

A participação de Romeu Zema (Novo) já havia sido determinada anteriormente pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques.

A decisão, tomada na terça-feira (29), alterou o entendimento adotado anteriormente pela Corte eleitoral sobre os critérios utilizados para calcular a representação partidária no Congresso Nacional para fins de participação em debates.

Assim, o cenário do programa passou por sucessivas alterações durante os dias que antecederam a transmissão.

Ausência de Lula e desistência de Flávio Bolsonaro

Além das decisões judiciais, o debate também foi afetado pela ausência de dois dos principais nomes da disputa.

Lula havia comunicado à emissora que não participaria do encontro. Mais tarde, Flávio Bolsonaro (PL) também anunciou que não compareceria. O candidato do PL questionou as decisões judiciais e afirmou, em manifestações públicas, que as mudanças provocavam insegurança para a realização do programa.

Com as alterações judiciais e a desistência de Flávio, a Globo decidiu cancelar a transmissão prevista para aquela noite.

Até a decisão da emissora, Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) estavam entre os candidatos que haviam confirmado presença.

Entidades apontam preocupação com liberdade de imprensa

Na avaliação apresentada pela ABERT, ANER e ANJ, o episódio ultrapassou uma discussão sobre a organização de um programa televisivo.

As entidades sustentaram que as decisões judiciais interferiram em regras estabelecidas anteriormente entre a emissora e os partidos e classificaram o episódio como uma questão relacionada à liberdade de imprensa.

A manifestação, entretanto, representa a posição das três organizações que assinaram a nota. As decisões judiciais mencionadas no documento foram tomadas dentro de processos submetidos ao TSE e ao STF, cada uma com fundamentos e objetos específicos.

Debate foi cancelado na véspera do primeiro turno

O encontro da Globo seria o último grande debate televisivo entre candidatos à Presidência antes do primeiro turno das eleições, marcado para domingo (4).

O cancelamento ocorreu justamente na fase final da campanha, quando os candidatos concentravam suas últimas atividades públicas e buscavam apresentar propostas aos eleitores.

A situação também impediu que os postulantes que estavam dispostos a participar do programa apresentassem suas propostas no formato inicialmente planejado pela emissora.

Para as entidades de imprensa, esse aspecto representa uma perda para o eleitorado, que deixou de acompanhar o confronto direto entre os candidatos que haviam confirmado presença.

Nota conjunta defende regras previamente estabelecidas

ABERT, ANER e ANJ afirmaram que as regras do debate haviam sido discutidas e acordadas previamente entre a emissora e os partidos. Na avaliação das organizações, mudanças determinadas próximo ao horário do programa comprometeram a realização do encontro.

A Globo, por sua vez, informou que recebeu duas notificações judiciais que interferiam diretamente nas regras definidas para o debate e, diante desse cenário, optou pelo cancelamento.

O episódio abriu uma discussão sobre os limites da atuação judicial na organização de debates eleitorais e sobre a necessidade de conciliar as regras eleitorais, as decisões judiciais e a autonomia das emissoras na definição de seus formatos.

“As entidades manifestam profunda indignação com a intervenção judicial nas regras previamente definidas.”

Leia a nota na íntegra:

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) se solidarizam com a TV Globo e manifestam profunda indignação com a intervenção judicial nas regras previamente definidas que levou ao cancelamento do último debate presidencial do primeiro turno.

As entidades entendem que a interferência não se trata apenas de uma imposição de obrigações, sem previsões em lei, contra uma emissora privada. É, sobretudo, uma agressão à liberdade de imprensa ao forçar a condução do debate em desrespeito a regras acordadas há meses entre a emissora e os partidos.

Infelizmente, os excessos judiciais atropelaram o direito de os cidadãos terem acesso às propostas dos candidatos que, conforme prevê a lei eleitoral, já tinham sido convidados e se dispuseram a participar do debate.

Brasília, 1º de outubro de 2026.
Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão
Associação Nacional de Editores de Revistas
Associação Nacional de Jornais

 

 

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