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Cancelamento do debate da Globo provoca reação de candidatos após decisões judiciais

Augusto Cury, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado criticaram o cancelamento do encontro, que seria o último debate presidencial antes do primeiro turno

Publicada em 01/10/2026 às 23:56h - Redação Rádio Vida


Cancelamento do debate da Globo provoca reação de candidatos após decisões judiciais
 (Foto: Reprodução)



O cancelamento do debate entre candidatos à Presidência que seria realizado pela TV Globo na noite desta quinta-feira (1º) provocou manifestações dos concorrentes que estavam preparados para participar do encontro. O programa foi suspenso depois que a emissora recebeu duas determinações judiciais que modificaram, poucas horas antes da transmissão, regras estabelecidas previamente para o evento.

As decisões foram tomadas em processos distintos. Uma delas, da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alterou as condições previstas para o caso de ausência do presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A outra, do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão de Renan Santos (Missão) entre os participantes.

O encontro estava previsto para ocorrer na reta final da campanha, três dias antes do primeiro turno, marcado para domingo (4). A emissora informou que as novas determinações provocaram insegurança jurídica e afetaram o formato que havia sido acertado anteriormente com as representações partidárias.

Candidatos contestam cancelamento

Entre os candidatos que haviam confirmado presença, houve críticas ao desfecho. As manifestações, porém, apresentaram argumentos diferentes sobre as consequências das decisões judiciais e sobre o papel da Justiça Eleitoral e do STF no episódio.

Augusto Cury (Avante) lamentou a ausência do confronto de propostas e afirmou que os debates são importantes para que o eleitor conheça as ideias dos candidatos. Em sua manifestação, também mencionou a atuação do Supremo no episódio.

Flávio Bolsonaro (PL) relacionou sua desistência à decisão do TSE sobre as regras envolvendo a ausência de Lula. O candidato havia confirmado participação anteriormente, mas anunciou que não compareceria ao programa e classificou a situação como resultado de uma insegurança jurídica que, segundo ele, atingiu o processo eleitoral.

A caracterização feita por Flávio sobre a decisão judicial corresponde à posição apresentada pelo candidato e não constitui uma conclusão do TSE.

Romeu Zema (Novo) também criticou a alteração das regras próximo ao horário do programa. O candidato questionou a atuação do Judiciário e afirmou que decisões tomadas na reta final modificaram as condições originalmente estabelecidas.

Já Ronaldo Caiado (PSD) classificou o cancelamento como um problema para o processo eleitoral e afirmou que os candidatos deveriam ter tido a oportunidade de apresentar suas propostas no debate que havia sido programado.

Decisão do TSE mudou regra sobre ausência de Lula

A primeira determinação que chegou à emissora partiu da ministra Estela Aranha, do TSE, em resposta a uma solicitação apresentada pela coligação da candidatura de Lula.

O regulamento previamente estabelecido para o debate previa que, caso um candidato convidado não comparecesse, o espaço destinado a ele permaneceria vazio no cenário, identificado com seu nome. As regras também permitiam que candidatos presentes formulassem perguntas dirigidas ao ausente dentro de uma das etapas do programa.

A decisão judicial impediu a utilização do púlpito identificado com o nome de Lula e também modificou a dinâmica relacionada às perguntas que poderiam ser feitas ao candidato ausente.

Lula já havia informado à emissora que não participaria do encontro. A determinação do TSE, portanto, não tratava da obrigação de comparecimento do presidente, mas das condições estabelecidas pela emissora para representar sua ausência no programa.

STF determinou entrada de Renan Santos

Outra mudança ocorreu após decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, relacionada à participação de Renan Santos, candidato do Missão.

A legislação eleitoral estabelece critérios para a participação obrigatória de candidatos em debates transmitidos por rádio e televisão. Entre os critérios está a representação partidária no Congresso Nacional, conforme as regras eleitorais aplicáveis.

Inicialmente, a Globo havia convidado Augusto Cury, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Lula dentro dos critérios utilizados pela emissora.

Posteriormente, uma decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou a participação de Romeu Zema, após alteração no entendimento sobre a forma de contabilização da representação parlamentar do partido.

No caso de Renan Santos, a determinação de Gilmar Mendes também modificou a composição do debate, estabelecendo a participação do candidato do Missão.

Mudanças ocorreram horas antes da transmissão

A sucessão de decisões deixou a organização do programa diferente daquela prevista inicialmente.

A emissora precisaria adaptar a dinâmica do debate para atender à decisão relacionada à ausência de Lula e, ao mesmo tempo, incorporar Renan Santos à lista de participantes.

O cenário também havia sido alterado pela desistência de Flávio Bolsonaro, anunciada durante a noite. Dessa maneira, a composição do encontro sofreu mudanças sucessivas em um intervalo curto.

Foi nesse contexto que a Globo decidiu cancelar o programa.

Segundo informações divulgadas após o episódio, a emissora considerou que as decisões judiciais recebidas poucas horas antes da transmissão criaram um cenário de insegurança jurídica para a realização do encontro.

Debate seria o último antes da votação

A programação tinha importância por ocorrer no encerramento da campanha do primeiro turno. O encontro seria uma das últimas oportunidades para os candidatos apresentarem suas propostas diretamente aos eleitores em uma transmissão nacional.

O cancelamento impediu o confronto entre os candidatos que ainda estavam dispostos a participar e encerrou a sequência de debates prevista pela emissora para a eleição presidencial.

A situação também trouxe para o centro da discussão a relação entre as regras estabelecidas pelas emissoras, as normas eleitorais e as decisões judiciais tomadas durante a campanha.

Entidades de imprensa também reagiram

O cancelamento provocou ainda uma manifestação conjunta da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), da Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e da Associação Nacional de Jornais (ANJ).

As três organizações defenderam a emissora e criticaram as mudanças determinadas judicialmente nas regras do programa. Para as entidades, as condições do debate haviam sido previamente discutidas entre a Globo e os partidos e não deveriam ter sido modificadas na proximidade da transmissão.

Na nota, as associações também relacionaram o episódio à liberdade de imprensa e ao direito dos eleitores de acompanhar as propostas dos candidatos.

A manifestação representa a posição das entidades que assinaram o documento. Já as decisões judiciais foram tomadas em processos específicos, com fundamentos próprios apresentados pelos ministros responsáveis.

Repercussão na reta final da eleição

O episódio ocorreu em um dos momentos mais importantes do calendário eleitoral. Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, as campanhas entraram nas últimas horas de mobilização antes da votação.

O cancelamento do debate da Globo acrescentou uma nova discussão à fase final da disputa presidencial: de um lado, candidatos e entidades de imprensa questionaram as mudanças feitas próximo à transmissão; de outro, as decisões judiciais foram apresentadas no âmbito de processos que discutiam direitos de participação e regras aplicáveis ao debate.

A sequência de acontecimentos — ausência anunciada de Lula, decisão do TSE, desistência de Flávio Bolsonaro, determinação do STF para inclusão de Renan Santos e, finalmente, o cancelamento pela emissora — marcou o encerramento da programação de debates da Globo antes da votação.

“Os debates representam o oxigênio da democracia”, afirmou Augusto Cury ao lamentar o cancelamento.

 

 

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