A reta final da disputa pelo Governo da Bahia foi marcada pela ausência do governador e candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues (PT) no último debate promovido pela TV Bahia antes do primeiro turno. O encontro ocorreu na noite de 29 de setembro, cinco dias antes da votação, mas não teve o confronto previsto entre os principais candidatos.
Jerônimo decidiu acompanhar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma caminhada de campanha realizada em Salvador. A agenda com o presidente coincidiu com o horário previsto para o debate, levando o candidato petista a optar pelo compromisso político ao lado de Lula.
A decisão teve repercussão entre adversários e passou a integrar o debate político nos últimos dias da campanha. A ausência também ganhou destaque porque o programa havia sido planejado justamente como o último confronto televisivo entre os candidatos antes do primeiro turno.
Programa terminou em formato de entrevista
Com Jerônimo fora do estúdio e Ronaldo Mansur (PSOL) também impossibilitado de participar após sofrer um acidente de carro no mesmo dia, apenas ACM Neto (União Brasil) compareceu ao programa.
Diante da ausência dos demais candidatos, a TV Bahia alterou o formato originalmente planejado e realizou uma entrevista individual com ACM Neto, conduzida pela jornalista Zileide Silva.
O episódio impediu que os eleitores acompanhassem um confronto direto entre os candidatos presentes na programação original. A situação de Mansur, porém, teve uma causa diferente: o candidato foi hospitalizado depois do acidente ocorrido em Salvador.
Campanha de Jerônimo justificou decisão pela agenda com Lula
A campanha de Jerônimo informou que a escolha ocorreu porque o governador decidiu permanecer ao lado de Lula durante a atividade política na capital baiana.
O próprio Jerônimo afirmou que já havia participado de outros debates, sabatinas e entrevistas ao longo da campanha e que sua ausência naquele programa estava relacionada especificamente à agenda com o presidente nos últimos dias antes da eleição.
A justificativa apresentada pela campanha não elimina, entretanto, a repercussão política da decisão. A participação em debates é um dos momentos em que candidatos podem ser questionados diretamente sobre propostas e administrações, enquanto as campanhas normalmente possuem maior controle sobre discursos realizados em atos eleitorais.
ACM Neto aproveitou o espaço para criticar adversário
Durante a entrevista que substituiu o debate, ACM Neto comentou a ausência de Jerônimo e questionou a decisão do governador de não comparecer.
O candidato do União Brasil classificou a ausência como uma oportunidade perdida de confronto direto e utilizou o episódio para fazer críticas ao adversário.
A repercussão também levou aliados da oposição a resgatarem declarações feitas por Jerônimo durante a campanha de 2022 sobre a importância da participação dos candidatos em debates.
Uma declaração atribuída ao então candidato petista voltou a circular nas redes sociais e foi utilizada por adversários para questionar a decisão tomada em 2026. Segundo registros publicados durante a atual campanha, Jerônimo havia afirmado anteriormente que um candidato que evitasse discutir propostas em debates não teria condições de exercer o governo.
Situação é diferente da eleição de 2022
A participação de Jerônimo em debates também foi diferente entre os dois ciclos eleitorais.
Em 2022, quando disputou pela primeira vez o Governo da Bahia, o petista participou do debate realizado pela TV Bahia em 27 de setembro, juntamente com ACM Neto, João Roma e Kleber Rosa.
Já no segundo turno daquela eleição, Jerônimo não participou de debates, segundo o histórico apresentado no material original. Naquele pleito, o candidato havia avançado para a segunda etapa depois de terminar o primeiro turno à frente de ACM Neto.
Em 2026, a situação é diferente porque a ausência ocorreu ainda antes da votação do primeiro turno e em um cenário de disputa entre as principais candidaturas.
Debate ocorreu em momento decisivo
O encontro estava marcado para poucos dias antes do primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Por isso, a ausência ganhou dimensão adicional dentro das estratégias de campanha.
Debates podem oferecer aos eleitores a possibilidade de observar candidatos respondendo às mesmas perguntas, apresentando propostas e reagindo a críticas dos adversários. Ao mesmo tempo, a decisão de participar ou não desses programas faz parte das estratégias adotadas pelas campanhas.
No caso de Jerônimo, a campanha apresentou a agenda com Lula como motivo para a ausência. Adversários, por sua vez, interpretaram a decisão de outra maneira e passaram a utilizá-la como elemento de crítica eleitoral. Essas são interpretações distintas sobre o mesmo episódio e devem ser atribuídas aos respectivos grupos.
Pesquisas mostravam cenário competitivo
A ausência ocorreu em um momento de disputa competitiva pelo governo baiano. Pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em setembro apontava 48,4% para ACM Neto e 44,2% para Jerônimo Rodrigues em um eventual segundo turno, dentro da margem de erro informada pelo levantamento. A pesquisa ouviu 1.400 eleitores entre 21 e 23 de setembro e tinha margem de erro de 2,7 pontos percentuais.
Outro levantamento citado no período, da Quaest, havia registrado 42% para ACM Neto e 40% para Jerônimo no cenário de primeiro turno, também dentro da margem de erro.
Pesquisas eleitorais são retratos de períodos específicos e não determinam o resultado das urnas.
Ausência passa a fazer parte da campanha
Com o debate encerrado sem o confronto originalmente previsto, a decisão de Jerônimo passou a integrar o discurso das candidaturas adversárias e a repercussão política da reta final.
O episódio também ganhou espaço nas redes sociais e na cobertura jornalística, especialmente porque ocorreu poucos dias antes da votação.
A escolha do governador de acompanhar Lula em Salvador, portanto, teve dois efeitos distintos no cenário eleitoral: permitiu sua participação em um ato de campanha ao lado do presidente e, simultaneamente, retirou sua presença do último debate televisivo em TV aberta antes do primeiro turno.
“Jerônimo preferiu acompanhar a caminhada de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Salvador.”
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