A forma como os homens devem urinar — sentado ou em pé — é um tema que desperta debates acalorados, misturando argumentos de saúde, higiene, cultura e até conveniência. Embora não existam evidências médicas conclusivas apontando vantagens clínicas de uma posição sobre a outra, especialistas e estudos sugerem que urinar sentado pode ser mais higiênico e, em alguns casos, mais eficiente.
“Não existe um jeito certo ou errado de fazer xixi, depende de cada pessoa”, afirma Mary Garthwaite, presidente da Fundação de Urologia do Reino Unido. No entanto, ela reconhece que urinar sentado tende a ser mais higiênico — desde que o banheiro esteja limpo.
Além disso, Garthwaite destaca que essa posição pode ser mais segura para pessoas com dificuldades de equilíbrio ou mobilidade, especialmente durante a noite, quando o risco de acidentes aumenta.
Um dos principais argumentos contra urinar em pé é a questão dos respingos. Um estudo de 2013 mostrou que até mesmo objetos aparentemente distantes do vaso sanitário, como escovas de dente, podem ser atingidos por gotículas microscópicas de urina. E não se trata apenas de mira ruim: engenheiros mecânicos americanos descobriram que essas partículas podem se espalhar em ângulos e distâncias surpreendentes.
Pesquisadores da Universidade de Leiden, na Holanda, investigaram em 2014 como a posição corporal afeta o fluxo urinário e o tempo de esvaziamento da bexiga. O estudo concluiu que, para homens com aumento da próstata, urinar sentado permite um esvaziamento mais rápido e completo. Já entre homens saudáveis, não foram observadas diferenças significativas.
Apesar das evidências, a maioria dos homens ainda prefere urinar em pé — um hábito profundamente enraizado em muitas culturas. No entanto, há exceções. No Islã, por exemplo, urinar sentado é recomendado como parte do Sunnah, conjunto de práticas atribuídas ao profeta Maomé.
Na Alemanha, curiosamente, a prática de urinar sentado é comum: uma pesquisa da YouGov realizada em 2013 revelou que 40% dos alemães sempre se sentam para urinar, enquanto apenas 10% fazem isso em pé. No Reino Unido, os números são bem diferentes: apenas 9% se sentam, contra 33% que preferem ficar em pé.
Mesmo assim, o termo “Sitzpinkler” — usado na Alemanha para descrever homens que urinam sentados — ainda carrega conotações de falta de masculinidade. No Brasil, o ditado popular “fazer xixi sentado é coisa de mulher e sapo” revela o estigma cultural que ainda persiste.
Será que essa preferência tem raízes evolutivas? Segundo o professor Robert Dunbar, da Universidade de Oxford, não. “Não há evidência [evolutiva] que explique por que os homens urinam em pé”, afirma. Ou seja, trata-se mais de hábito do que de herança biológica.
No fim das contas, como resume Garthwaite, “alguns homens se sentirão mais confortáveis fazendo xixi em pé e outros sentados”. Sem uma recomendação médica definitiva, a escolha continuará sendo pessoal — a não ser que avisos nos banheiros ou a pressão social deem um empurrãozinho.
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