Pacientes diagnosticados com câncer de bexiga músculo-invasivo, uma das formas mais agressivas da doença, passam a contar com uma nova possibilidade de tratamento no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a ampliação da indicação do medicamento Padcev (enfortumabe vedotina), permitindo sua utilização em conjunto com o imunoterápico Keytruda (pembrolizumabe).
A decisão, anunciada nesta segunda-feira (1º), representa um avanço importante para pessoas que enfrentam a doença em estágios mais avançados, especialmente aquelas que não podem ser submetidas à quimioterapia baseada em cisplatina, tratamento tradicional utilizado nesses casos.
Com a atualização aprovada pela agência reguladora, a combinação dos dois medicamentos poderá ser empregada tanto antes quanto após procedimentos cirúrgicos destinados à retirada do tumor da bexiga, ampliando as opções terapêuticas disponíveis aos especialistas.
Como funciona a nova combinação
O Padcev pertence a uma classe moderna de medicamentos conhecida como conjugado anticorpo-droga. Sua atuação consiste em identificar proteínas presentes nas células cancerígenas e liberar substâncias capazes de destruí-las de forma direcionada.
Já o Keytruda atua por meio da imunoterapia, estimulando o próprio sistema imunológico do paciente a reconhecer e combater as células tumorais. O medicamento já é utilizado em diversos tipos de câncer e tem apresentado resultados relevantes em diferentes protocolos oncológicos.
Especialistas avaliam que a combinação das duas terapias pode ampliar a eficácia do tratamento, sobretudo em pacientes com opções limitadas devido a condições clínicas que impedem o uso da quimioterapia convencional.
Doença apresenta alta taxa de mortalidade
Dados da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer indicam que aproximadamente um quarto dos diagnósticos de câncer de bexiga ocorre quando a doença já se encontra em estágio avançado. Nesses casos, o tratamento costuma ser mais complexo devido ao potencial de invasão e à elevada possibilidade de recorrência.
O câncer de bexiga músculo-invasivo é considerado uma das formas mais graves da enfermidade, podendo comprometer as camadas profundas do órgão e aumentar os riscos de disseminação para outras regiões do corpo.
Principais fatores de risco
Entre os fatores associados ao desenvolvimento da doença, o tabagismo aparece como um dos principais responsáveis pelos casos registrados em todo o mundo. Além disso, a exposição prolongada a determinados produtos químicos, o uso de alguns medicamentos e suplementos, o envelhecimento e a presença de histórico familiar também estão entre os elementos que podem elevar o risco.
Estatísticas médicas apontam ainda uma incidência maior da doença entre homens, especialmente na população branca.
A aprovação da nova indicação terapêutica pela Anvisa reforça os avanços recentes na oncologia e amplia as alternativas de tratamento para pacientes brasileiros que enfrentam uma das formas mais desafiadoras do câncer urológico.
Fonte: Bahia Notícias
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